Bem vindo a Marwen, por Daniel Mattoso




Daniel Mattoso

Contando a história (real) de Mark Hogancamp (Steve Carrel), um fotógrafo que foi agredido em um bar e perdeu toda a sua memória. Para lidar com isso, desenvolveu uma estranha condição para lidar com o estresse pós-traumático: iniciou um processo de fantasia, onde ele era transportado para um mundo em que ele é o personagem principal em uma cidade belga chamada Marwen, sendo esta representada por uma incrível maquete e bonecos representando ele e seus familiares.

Dirigido pelo premiado Robert Zemeckis, do premiado Forrest Gump, o filme inicia com uma cena de guerra, onde minutos depois, percebemos que esta cena se trata desta parte da fantasia de Mark. Sua rotina é muito peculiar. Debilitado, ele fotografa cenas dos seus bonecos em ação, sempre envolvendo cenas da segunda guerra, onde apenas Mark é o protagonista masculino excêntrico, cercado por personagens femininas e os vilões são os nazistas (interpretados por bonecos masculinos).

Quando uma vizinha ruiva (Leslie Mann) se muda para frente de sua casa, Mark passa a admirá-la e logo trata de comprar uma versão daquela mulher para suas brincadeiras e a incorpora em suas histórias. Como na sua ficção ele se casa com ela, na vida real, Mark a propõe em casamento, levando um fora, mostrando que, sua condição confunde realidade e ficção. E em paralelo, precisa se fortalecer de coragem para encarar seus agressores no tribunal.
O filme foi um fracasso de bilheteria, sendo um dos maiores fiascos da carreira Steve Carrel. A trama é muito arrastada, tendo a maior parte do longa com cenas da fantasia de Mark. Estas partes da fantasia são bem feitas, pois há uma maquiagem e efeitos especiais, onde os atores emulam que são figuras de ação. Contudo acompanhamos um filme que, se aprofunda na jornada do protagonista, deixando apenas a resolução de encarar os agressores como o fio condutor da trama, mas sem explorar muito bem. A produção peca neste sentido, de nos dar um sentido para tudo aquilo.

Para mim, que sou um colecionador de action figure, estava muito interessado em ver esse longa. Nos países do norte, o colecionismo é muito forte, devido aos dias de frio intenso, fazendo com que as pessoas, mais em casa, passem a dar mais valor a coisas artesanais. E o colecionismo é muito forte nestas condições. Outros filmes que envolveram o colecionismo, como o “Virgem de 40 Anos”, com o mesmo Carrel, sempre coloca o hobby em segundo plano. Em “Bem Vindo…”, os bonecos representam uma fuga a um plano bem fantasioso, onde o personagem consegue ir a uma realidade paralela fantástica. Seria um plano de filme bem bacana, onde tivemos algumas produções que flertaram com a ideia, como “Sucker Punch”. “Bem Vindo a Marwen” foi baseado em um documentário que parece ser mais interessante que uma produção cinematográfica, cheia de efeitos especiais, infelizmente.

Nota 4.5




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