Uma reportagem da Folha de São Paulo movimentou o noticiário da semana há dias da eleição mais importante do país nos últimos anos. Um suposto esquema de benefício a Jair Bolsonaro dias antes da eleição através do envio de Fake News via Whatsapp foi noticiado pelo jornal que afirmou que o dono da Havan, Luciano Hang foi um dos empresários que teriam gastado a bagatela de 12 milhões de reais para impulsionar mensagens difamatórias contra Fernando Haddad, do PT.
Só que a matéria incorre em alguns erros mesmo tendo mérito total da jornalista que escreve a matéria.
O título diz: Empresários bancam campanha contra o PT no Whatsapp
O primeiro parágrafo diz : Empresas estão comprando pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no Whatsapp e preparam uma grande operação na semana anterior ao segundo turno
A matéria cita quatro agências que teriam prestado o serviço. Duas não responderam. Uma, a QuickMobile negou. Prestar serviço significaria que o dinheiro entraria para que o esquema fosse feito.
Mas o empresário Luciano Hang nega que tenha cometido a ação, já que ele diz que sem impulsionar consegue resultado melhor nas suas redes.
Os erros:
No todo da matéria consta só um empresário que teria cometido a ação e não “empresários”
Mais, diz que a ação só irá ocorrer na semana que vem… ou seja, ainda não aconteceu. Se não aconteceu, não tem como dizer que houve benefício.
Não há alguém que confirme e confesse o caso, como também não há evidência legal que mostre alguma operação financeira, depósito, cheque entre as empresas citadas
A Folha por mais que tenha se baseado em fontes e pesquisas não apresenta sequer uma prova material do caso, do envolvimento das empresas e sequer que o presidenciável soubesse.
Não conheço a jornalista e nem a estrutura da FOLHA. A história dela apesar dos pesares revela hoje um jornalismo crítico, chegando a ser chato com todas as esferas do poder. Não foi chapa branca com Dória. Foi um pouco mais com Haddad mas dentro da linha aceitável e foi um dos veículos que mesmo defendendo o Impeachment, sempre abriu espaço para vozes dissonantes e tem a figura do Ombudsman, que deveria ser padrão em todos os veículos.
Mais… Não acredito em má fé da jornalista. É preciso esperar e já tivemos edições após o caso onde ainda não apareceram evidências maiores do caso.
Absurdo é eleitores extremistas do Bolsonaro atacarem a jornalista, como fazem com todos aqueles que criticam seu candidato. Nada diferente dos radicais do PT. É preocupante esse ataque a imprensa.
Não é crime o Luciano Hang apoiar Bolsonaro. É diferente da empresa fazer isso. Não há provas de que a campanha do candidato esteja ligada a isso e fazendo o disparo das mensagens pelo WhatsApp.
Ainda assim, a denúncia é grave, deve ser investigada por todos e é preciso que apareçam novidades nessa história.
Não vou apontar perseguição, nem parcialidade proposital. Não é o caso.
Sejamos francos, vários eleitores do Bolsonaro se utilizam de fake news, eleitores do Haddad e do PT idem.
Tivemos uma Fake news braba nesse período foi a acusação absurda da Joice Hasselmann, uma ex-colunista, hoje deputada de extrema direita de que a Veja, revista para qual ela trabalhou teria recebido 600 milhões para falar mal de Bolsonaro. 600 milhões!!!!
Dava pra comprar todo o time do Fluminense com esse dinheiro.
Tudo isso revela os ânimos aflorados com a eleição próxima. Uma certa preocupação do PT estando atrás do placar e uma conseqüência da militância desenfreada e as vezes irresponsável de Jair Bolsonaro, que gosta de uma Fake news.
A postura do candidato em não ir aos debates também é lamentável. Seus médicos o liberaram para os debates que ora diz que não pode se estressar, ora diz que não debate com “poste”.
O debate não é para um ou para outro. É para a população que merece o confronto direto.
Jair não quer sair da Zona de conforto. O PT vai para o tudo ou nada.
Esse artigo do jornalista Erick Bretas também é esclarecedor
Há um problema substantivo e outro semântico nessa reportagem publicada hoje pela Folha.
Começo pelo semântico.
A manchete do jornal impresso é “Empresas bancam disparos de mensagens anti-PT nas redes”.
O título da página interna da edição digital é “Empresários bancam campanha contra o PT pelo WhatsApp”.
“EMPRESAS” e “EMPRESÁRIOS”, no plural, são termos que criam a noção de uma ação coletiva e possivelmente coordenada. Fernando Haddad falou em “quadrilha” de empresários ao sugerir que a eleição pudesse ser anulada.
Acontece que a manchete do jornal não é sustentada pelo que diz o texto da reportagem.
Eu li a matéria duas vezes. Ela só cita nominalmente UMA possível compradora do envio de mensagens:
“A Folha apurou que cada contrato chega a R$ 12 milhões e, entre as empresas compradoras, está a Havan.”
Todas as demais empresas citadas na reportagem — Quickmobile, Yacows, Croc Services e SMS Market — são prestadoras de serviço. Recebem para mandar mensagens, não pagam.
É improvável que a Folha tenha provas de que outras “empresas”, assim no plural, estejam envolvidas num grande esquema orquestrado para interferir nas eleições e tenha decidido não nomeá-las.
Se fizesse isso, estaria protegendo Bolsonaro e os empresários envolvidos na ação criminosa.
O que temos então é a possibilidade de que a Folha só tenha provas de que *uma* empresa pagou pelas mensagens de WhatsApp e, por alguma razão, os editores teriam decidido meter um plural nos títulos e na manchete do jornal.
Isso já não seria um problema trivial, mas a coisa pode ser pior. E aí vamos à questão substantiva.
A denúncia de que um número não sabido de empresários estaria desembolsando até R$ 12 milhões, cada um, para interferir na eleição é seriíssima.
Se for provado que há conluio entre esses supostos financiadores do “Caixa 2 do Bolsonaro” e a campanha do candidato, as consequências seriam graves — levando até à impugnação da chapa, como sonha a campanha do PT.
Quanto mais grave uma denúncia jornalística, quantos mais profundos e duradouros seus efeitos, maior a necessidade de respaldá-la com provas e indícios: uma página de contrato, uma reprodução de e-mail, uma testemunha crível. Nada disso aparece na reportagem de hoje.
O ônus da prova sempre cabe a quem acusa — e a Folha não apresentou *nenhuma* prova ou sequer indício de que empresários tenham agido orquestradamente para prejudicar o PT.
O que a reportagem consegue provar é muito pouco: por exemplo, que a campanha de Romeu Zema contratou da Croc Services o disparo de mensagens para a base administrada pela própria campanha do candidato — o que é legal e foi declarado ao TRE, como esclarece a própria reportagem. E para fazer campanha A FAVOR de Zema, não CONTRA o PT, como dizem os títulos da Folha.
A reportagem diz ainda que teve acesso a e-mails da empresa oferecendo também o disparo para uma base própria — o que é ilegal — mas não esclarece para quem a oferta foi feita nem se o serviço chegou a ser contratado.
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Eu acho o problema da falta de controle sobre a disseminação de mensagens falsas no WhatsApp sério e acredito que a empresa poderia fazer mais para combatê-lo. Está aí o exemplo do linchamento na Índia para provar que correntes e fakes transbordam para a vida real com consequências graves.
Mas está havendo uma clara tentativa de transformar o aplicativo no bode que vai expiar os erros do PT nessa eleição.
Como sabe qualquer usuário, quem é incluído contra a vontade num grupo de Zap tem a opção de sair imediatamente.
As pessoas só aceitam ficar em grupos com os quais tenham algum tipo de conexão e dos quais aceitaram participar de forma voluntária.
É nesses ambientes que se dá a troca de mensagens falsas — quase sempre por ação espontânea do remetente.
A ideia de que uma grande linha industrial de fake news controlada por empresários inescrupulosos tenha tomado o controle dos smartphones dos brasileiros e transformado os eleitores em marionetes mistura um tiquinho de fantasia com um muito de malandragem e prepara o terreno para a narrativa petista pós-derrota.
Mas isso é o estado normal de coisas no petismo. O preocupante é quando o jornalismo independente compra esse discurso.
Ou pior ainda, dá munição a ele.
EDIT: Saiu a edição da Folha de sexta-feira. Assim como a de quinta, ela não traz documentos que substanciem a denúncia. Não consigo pensar em outra explicação para o fato que não esta: as provas simplesmente não existem.

NÃO SOU ADVOGADO DO CANDIDATO DO PSL, NÃO APOIO NENHUM PARTIDO NEM POLITICO. VOCÊ IRIA SE HOUVESSE RISCO DE OUTRO ATENTADO? EU NÃO IRIA.. ALIAS ESTE RISCO É REAL.