Rio registra risco alto para a covid-19 em toda a cidade, aponta boletim

A prefeitura do Rio divulgou, nesta sexta-feira, o mais novo boletim epidemiológico, e agora 100% das regiões da cidade estão em alto risco para o contágio da Covid-19. Este é o penúltimo ponto da escala criada pelo município – moderado, alto e muito alto. Em paralelo, o Rio é a capital com mais vacinados do país: até a manhã desta sexta-feira (22), 42.563 pessoas haviam sido vacinadas. Desses, 35.130 são profissionais de saúde.

Todos as 33 regiões administrativas estão em estágio de alto risco. Na semana anterior, eram 28 nesse patamar, e outras cinco em risco moderado. O aumento da última semana foi registrado principalmente nas favelas: Rocinha, Jacarezinho, Alemão e Maré, além de Realengo, que até a semana passada estava em moderado.

O prefeito Eduardo Paes disse que a população precisa ter consciência. “Esse verão não é igual aquele que passou. Aqueles que acham que vão ficar na balada, nas festas: deixem de ser burros. Vocês estão matando pessoas. Ninguém está proibido de frequentar espaços públicos, mas tenham consciência”, afirmou Paes.

“O recado mais importante é para a população. Parece que há uma parte da população que tem que viver o verão com toda intensidade. Um exemplo: a roda de samba tradicional da Pedra do Sal virou às segundas feiras um baile funk. Não vai mais acontecer. Determinei que apreenda as caixas de som e equipamentos. Estou falando também com os mais jovens. Vão para a balada, acham que estão no verãozão e vão para a casa, viver com os mais idosos. Não é admissível que a gente continue nesse ritmo. As restrições estão colocadas já há duas, três semanas”, falou.

De acordo com o prefeito do Rio, se as regras não forem respeitadas, serão colocadas em prática as medidas previstas na resolução conjunta, assinada pelos secretários municipal e estadual de Saúde e publicada no Diário Oficial do dia 13 de janeiro. Entre elas, estão a limitação da capacidade de lotação de estabelecimentos, a alteração nos horários de funcionamento e a ampliação das regras de distanciamento em locais fechados.

O secretário municipal de Ordem Pública (Seop), Brenno Carnevale, ressaltou que a fiscalização será mais rígida a partir de agora. Nos últimos dias, foram feitas 167 ações de fiscalização em 28 bairros. Houve 58 infrações sanitárias e a interdição de nove eventos, oito deles clandestinos

– Infelizmente, muitos (comerciantes e população) ainda estão insistindo em descumprir as regras e a Prefeitura vai continuar fazendo o trabalho de interdição de eventos clandestinos, junto com a Vigilância Sanitária, a Defesa Civil e a Secretaria de Ordem Pública. Vamos fiscalizar, diuturnamente, eventos, aglomerações e o cumprimento das regras de proteção à vida – frisou o secretário de Ordem Pública.

As regiões que passaram de risco moderado a alto foram Realengo (XXXIII), Rocinha (XXVII), Jacarezinho (XXVIII), Complexo do Alemão (XXIX) e Complexo da Maré (XXX). Embora a cidade toda esteja com risco alto de contaminação, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, lembrou que, de acordo com o terceiro Boletim Epidemiológico, houve uma queda no número de pessoas internadas com Covid-19.

– A gente tem uma redução de 10% de pessoas internadas na cidade e tem ainda a abertura de 50 novos leitos, o que vai contribuir para reduzir a taxa de ocupação. Menos pessoas internadas e mais leitos, a gente vai ter uma taxa de ocupação menor. Agora, não é porque tem a menor fila de espera no momento que as pessoas podem abusar e se expor desnecessariamente. Fica a recomendação para que cumpram as regras em toda a cidade, para que a gente possa reduzir o número de pessoas internadas e de óbitos – disse Soranz. Desde o início da pandemia, a cidade do Rio registrou 182.713 casos de Covid-19, com 16.543 mortes.

O indicador de risco leva em consideração os números de internações e óbitos em decorrência da Covid-19. O estudo é elaborado pelo Centro de Operações de Emergências – COE Covid-19 Rio, e divulgado semanalmente informando as taxas da doença e a análise de risco por cada região do município. Este panorama embasa a definição das medidas de proteção à vida para cada área, correspondente ao nível de risco.

Novos leitos

Nesta semana, 50 novos leitos foram abertos para o tratamento da doença. São mais 10 leitos no hospital Souza Aguiar, 10 no Salgado Filho, 10 no hospital da Piedade e 20 no hospital Clementino Fraga Filho. Com isso, desde o dia 1º de janeiro, são 200 novos leitos na cidade. Outros 150 já tinham sido abertos – 130 no hospital Ronaldo Gazolla e 20 no Souza Aguiar. A meta é chegar a 343 novos leitos.

Mais de 42 mil vacinados até o momento

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) vacinou até esta quinta-feira 42.563 pessoas dos grupos prioritários em 604 pontos de vacinação espalhados pela cidade, o que torna o Rio a cidade que mais vacinou no Brasil. Foram imunizados 35.130 profissionais de saúde, 6.624 idosos que vivem em asilos, 623 pessoas com deficiência institucionalizadas, 143 quilombolas e 43 indígenas aldeados.

O município recebeu 115.920 doses da vacina CoronaVac repassadas pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), de um total de 231 mil doses destinadas pelo Ministério da Saúde para a capital neste primeiro momento. O restante das doses dessa primeira remessa deverá ser entregue pelo estado ao município nos próximos dias, e a SMS aguarda que o Ministério da Saúde envie novos lotes para abrir as próximas etapas da campanha de vacinação, voltadas aos demais grupos prioritários definidos pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

A campanha de vacinação continua, neste primeiro momento, voltada para: 1) trabalhadores de saúde que atendem diretamente a pacientes com Covid-19; 2) profissionais da Atenção Primária envolvidos na campanha de vacinação; 3) considerando a necessidade de retorno às atividades – recompondo a força de trabalho nos hospitais da rede – também os profissionais de saúde que atuam em CTI, urgência e emergência e que estavam afastados por idade ou comorbidade; 4) idosos e deficientes que vivem em instituições de longa permanência e os profissionais que trabalham nesses locais; 5) grupos indígenas e quilombolas.

É importante destacar que, apesar de a vacinação ter começado, os cuidados e as medidas de proteção à vida devem continuar sendo observados pela população. É imprescindível que as pessoas continuem a usar máscaras, a higienizar as mãos com água e sabão ou com álcool em gel a 70% e a manter o distanciamento social de pelo menos dois metros.

Medidas restritivas e fiscalização

As medidas de proteção à vida para o enfrentamento à Covid-19 foram estabelecidas em resolução conjunta da Secretaria Municipal de Saúde e da Secretaria de Estado de Saúde. São as mais indicadas para o risco atual, sendo possíveis de serem cumpridas pela população. Entre elas, destacam-se a limitação de capacidade de lotação de estabelecimentos, a alteração nos horários de funcionamento e a ampliação das regras de distanciamento em locais fechados. A fiscalização continuará ocorrendo.

As ações serão divididas em três categorias:

Permanentes
Variáveis
Recomendáveis
As medidas permanentes baseiam-se nos três pilares de proteção: higienização das mãos, respeito ao distanciamento e uso de máscara. Trata-se de iniciativas básicas para o enfrentamento à pandemia e que deverão continuar sendo respeitadas por toda a população.

As ações variáveis serão proporcionais aos estágios estabelecidos pelo Centro de Operações e Emergências – COE Covid-19, a partir do boletim epidemiológico divulgado semanalmente. Cada uma das 33 regiões administrativas da cidade deverá seguir as medidas de acordo com o nível de alerta respectivo à área. São três estágios de risco: moderado, alto ou muito alto.

A Prefeitura também lista uma série de recomendações para grupos específicos da sociedade, como indivíduos com mais de 60 anos ou que apresentem pelo menos uma das condições que os coloquem em situação de extrema vulnerabilidade.

As medidas classificadas como “permanentes” e “variáveis” têm caráter obrigatório e devem ser seguidas por todos, inclusive frequentadores e clientes de estabelecimentos e locais de uso coletivo. Quem for flagrado desobedecendo às medidas poderá ser responsabilizado.

Ações de conscientização

A Prefeitura também continuará realizando ações de conscientização em áreas da cidade, como as realizadas pela secretaria de Saúde no domingo (17) e no feriado de São Sebastião (20). As ações “Saúde na Orla” e “Saúde no Aterro”, respectivamente, levaram para duas das principais áreas de lazer ao ar livre agentes de promoção da saúde, que abordam a população para alertar e orientar sobre a importância dessas medidas para que o lazer e a prática de exercícios físicos sejam feitos com segurança. O planejamento é de que essas ações ocorram com rotina.

Além disso, outras pastas também têm ações de conscientização, dentro de suas áreas de atuação. A Secretaria Municipal de Assistência Social, por exemplo, está realizando ações nas comunidades, com a campanha “Resenha Contra Covid-19”, em que estão sendo treinadas nessa primeira fase 360 lideranças, que batem papo em bares, bailes, praias, sobre os cuidados sanitários para evitar a doença.

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