Hoje começamos a entrevistar candidatos a vereador da cidade e do estado do Rio de Janeiro. Hoje, no meu Blog aqui na Gazeta do Rio converso com Cris Moura, candidata a vereadora pelo município de Nova Iguaçu.
Você já reparou na pouca representatividade das mulheres negras na política? Apesar de 27% da população feminina se declarar negra, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE, mulheres negras representam apenas 2% do Congresso Nacional e são menos de 1% na Câmara dos Deputados.
A razão da baixa representatividade das mulheres negras na política está em questões estruturais da nossa sociedade: machismo e racismo. E pensando nesses baixos números, uma Cidadã brasileira, moradora do Bairro da Luz há mais de 40 anos, luta pelo empoderamento da mulher.
Cris Moura é candidata a Vereadora, pelo distrito de Nova Iguaçu, e tem como “bandeira” #AVezdaMulherNegra. Seu desejo é que as mulheres tenham acesso à saúde e educação de qualidade para elas e seus filhos.
Cris Moura sabe que o desafio é grande:
“Sou Cristiane Moura, me candidatei para o cargo de Vereadora, com o número 65565, porque senti a necessidade de ter uma representante das mulheres negras na política iguaçuana.”
A mulher negra precisa de voz na saúde, educação, na qualificação profissional e no reconhecimento da civilidade nacional:
“Tenho como bandeiras de lutas, o empoderamento das mulheres, pois precisamos ocupar mais espaços na política, criar leis para gerar mais empregos aqui em nossa Cidade, Aumentar o número de creches, pois muitas famílias precisam trabalhar, e não tem com quem deixar seus filhos.”
“Outra preocupação que eu tenho é com a cultura em nossa cidade, pois há muito tempo não temos um calendário cultural em nossa cidade, é preciso retomar o Carnaval, precisamos de projetos para levar a cultura para às regiões periféricas da Cidade, com pólos em todas a Urgs onde as crianças e jovens possam explorar suas habilidades artísticas, e que os artistas locais possam se apresentar, e assim fomentar a economia criativa de nossa cidade.”
Mas antes de tudo, as mulheres negras precisam lutar para sobreviver. De acordo com o Atlas da Violência de 2019, 66% de todas as mulheres assassinadas no país naquele ano eram negras. Além disso, 63% das casas chefiadas por mulheres negras estão abaixo da linha da pobreza, de acordo com a última Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE.
Dados estatísticos divulgados pelo governo federal comprovam que, em dez anos, a violência contra as mulheres negras aumentou 54%. No Brasil, onde a população negra é a maior fora da África, as mulheres negras estão na base da pirâmide social, condicionadas às piores condições de trabalho, menores salários, ocupando postos de trabalho mais precarizados e vivendo em lugares sem condições básicas de moradia saudável. As estatísticas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) comprovam, também, que 21% das mulheres negras são empregadas domésticas. Ainda, todos os estudos comprovam que as mulheres negras estão entre os piores índices de indicadores sociais e econômicos do país.
Não é só o machismo que mata. Entre as mulheres negras, o racismo carrega o peso da exclusão. Discrimina, condena. Para onde se olha, as fotografias e estatísticas evidenciam o que um passado de escravidão e preconceito teima em não querer apagar: o corpo da mulher negra é o mais violado, o que mais morre, o que é menos respeitado. Elas são as mais vulneráveis entre as vulneráveis.
Num País que gosta de alimentar o mito da democracia racial, não há como falar em questões de gênero sem dar voz ao feminismo negro.
Desde a assinatura da “Declaração de fim da abolição”, sim, declaração pois a suposta liberdade e conquista de direitos compuseram tão somente uma distopia, os desafios e dificuldades da população negra só se revestiram de novas vestimentas.
A sociedade brasileira, assim, estruturou-se em sistemas de opressão e institucionalizou práticas descriminalizantes. Integração, visibilidade, direitos, lutas são facetas que se tornaram o mote de sobrevivência. Antecedendo a assinatura, a história conta e reconta cansativamente a saga cruenta que desumanizou uma comunidade. Precedendo a assinatura, a história reflete, diariamente, o feito. Aí encontra-se a gênese da maior de todas as epidemias, o racismo.
A estas mulheres cabe a luta diária contra todos os tipos de discriminação e assédio, seja na sociedade ou expresso e destacado pela mídia. É preciso entender que as mulheres negras estão diante de uma realidade desumana e precisam enfrentar cotidianamente o racismo, o machismo e a pobreza.
Também precisamos reconhecer que sem as mulheres negras e seu pensar ativo não teremos o pleno exercício de nossos direitos. Ser mulher negra é enfrentar a dor, enfrentar a luta cotidiana, tentar sobreviver e seguir mais adiante. A dor não vai passar, mas a mulher negra se levanta generosamente para lutar de forma que outras não experimentem o que ela viveu.


Cris nunca foi vereadora e é candidata pelo PC DO B, que apoia o candidato Max Rodrigues Lemos numa coligação que une também os partidos PSDB, PODEMOS, PTC, DC, PC do B e SOLIDARIEDADE
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