Caroline Rocha: Coração aberto

Coração aberto

Há uma luz,
A brilhar lá no fundo,
Tímida, desconfiada.
E apesar de enxergá-la
Do alto da minha intolerância,
Orgulho e vaidade
Negam-se a vê-la.

As mãos envoltas, cerco teu brilho,
Como quem cobre a uma vela,
Sufocando o pavio até apagá-la.
É tão mais fácil apontar-te.
Mas que tolice sem motivos,
Quiçá desmantelada ao sopro
De qualquer esforço
Por um bem maior.

Perdoe-me, irmão (não há maior designação para chamar-te),
Ainda não sei amar-te.
Perdoa, irmão, a minha ignorância,
Pois que tu, nada sabendo,
É menos culpado que eu,
Que nada lhe dei.

Oh irmão, acalenta-te,
Pois esforço não faltará,
E dia há de chegar,
Que despindo-me de tudo que cobre meus olhos,
Possa desocupar minhas mãos
E estendê-las a ti.

Carregar-te-ei em meus braços,
E teu pranto será meu pranto,
A tua dor será minha
E meu canto será teu,
A embalar-te nos caminhos da verdade.

Dar-te-ei tudo o que tenho,
Embora ainda que tão pouco.
Soprarei contigo a vela da tua luz,
Emanando-a por todo o teu ser,
Até que sejas todo chama
Do calor da pureza dos teus atos.

E assim, irmão, ainda de mãos dadas,
Será agora a tua a guiar-me,
Pelo caminho sublime
Do amor misericordioso.

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