“Sofro preconceito por ser Evangélico” 

O BLOG começa a série de entrevistas com os candidatos a Prefeitura do Rio entrevistando o candidato do PRB, Marcelo Crivella. 

Crivella, acusado de fugir a entrevistas e a debates, como a entrevista do RJTV e a sabatina do Jornal O Globo não se esquivou a responder nenhuma das perguntas do BLOG. 

Nascido no Rio, Crivella tem 59 anos de idade e ficou conhecido pela sua atuação como Bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. Crivella é sobrinho do Bispo Edir Macedo, dono da Universal e da Rede Record de Televisão, a segunda maior rede de Televisão do país. 

É a sétima eleição de Crivella. Perdeu para Prefeito em 2004 e 2008 e pra Governador em 2006 e 2014. Foi eleito Senador nas eleições de 2002 e de 2010, com mais de três milhões de votos. 

Um dos maiores vendedores de discos no segmento gospel, Crivella teve que responder nos últimos dias questões sobre seu livro escrito na África em 1999 e publicado no Brasil em 2002, com palavras contendo preconceito religioso. Crivella também está no olho do furacão por suposta delação na Lava Jato e sua prisão, que foi capa da Revista VEJA dessa semana. 

Lembrando que o Email com as perguntas foi enviado na quinta feira passada, dia 20 quando ainda não se sabia da suposta delação na Lava Jato e não se tinha conhecimento da sua prisão e da matéria de VEJA, somente por isso esses dois fatos não foram abordados na matéria. 

Fora isso, Crivella responde a todas as perguntas do BLOG. Segue a entrevista.


1 – Crivella, se fala muito na mídia e outros candidatos falaram de uma suposta interferência da Igreja Universal do Reino de Deus no seu Governo. Qual será a participação da IURD no seu governo?

Não será. Nenhuma religião terá interferência no meu governo. Sou senador desde 2002, apresentei 400 proposições e nenhuma delas favoreceu igrejas ou entidades. Serei o prefeito de todos. 

   

GAROTINHO NÃO VAI PARTICIPAR DO MEU GOVERNO


2 – A coligação com o PR do ex-Governador Anthony Garotinho também é bastante criticada. Garotinho terá alguma participação no Governo? Seja em projetos ou em indicações de cargos.

O ex-governador Garotinho é do PR. Minha coligação tem o apoio do partido e não apenas de um integrante dele. O PR indicou meu vice, Fernando MacDowell, um quadro altamente qualificado. E aproveito para reforçar mais uma vez, como venho falando em quase todas as minhas entrevistas: Garotinho não vai participar do meu governo. 


3 – E Rodrigo Bethlem?

Ele se dispôs a me ajudar na campanha, a passar todo o conhecimento dele da prefeitura. Bethlem foi secretário municipal, entende de gestão pública e vem me ajudando informalmente sem nenhum tipo de compromisso. 


4 – O Jornal o Globo publicou uma reportagem do jornalista Fernando Molica sobre o seu livro “Evangelizando a África” de 2002 onde teria falas agressivas a homossexuais e a outras religiões. Como o senhor vê hoje essa obra e qual o seu pensamento sobre os homossexuais e as outras religiões?

Vejo como reflexo de uma época da minha vida onde convivi com um ambiente de guerra, de feitiçaria. De fato usei palavras e termos inadequados e peço perdão a quem ofendi. Mas amadureci com o tempo e hoje não escreveria coisas assim. O tempo passa, a gente revê posições e se recicla ao longo da vida. O Crivella missionário na África não é o mesmo de hoje. Em toda a minha trajetória, como missionário e político, nunca houve de minha parte uma atitude de intolerância com homossexuais e outras religiões. Sou o homem do consenso, do diálogo, da tolerância. 

     

SOFRO PRECONCEITO POR SER EVANGÉLICO



5 – O Sr. respondeu no Jornal “O Globo” a jornalista Cora Ronai após a mesma publicar o texto “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come” em que você é apontado como um homem cínico que usa a fé dos fiéis da IURD. O Sr. acha que é perseguido por ser evangélico e da Igreja Universal?

Acho que muitas pessoas não me conhecem, não conhecem meu trabalho e têm uma ideia errada a meu respeito, por preconceito mesmo. Sofro preconceito por ser evangélico. Sou senador desde 2002, fui eleito com mais de 3 milhões de votos. Não vejo isso como perseguição. O que vejo são meus adversários usando minha fé para criar um ambienta de medo, de intolerância. Sou bispo licenciado, nunca legislei em favor da igreja, mas insistem na tese de que vou governar com a igreja e para a igreja. 


6 –  Carminha Jerominho, filha de Jerominho, um dos milicianos presos após a CPI das Milícias manifestou apoio à sua candidatura. 

Ela o fez de forma espontânea. Voto a gente não rejeita. Preciso do voto dela e de todos os cariocas. 


7 – O que é o projeto “Cimento Social” e como você pretende desenvolvê-lo na cidade?

Temos experiências de sucesso do Cimento Social em comunidades pobres do Rio. Como prefeito, vou ampliar o projeto. O Cimento Social dá dignidade à moradia das pessoas. Um teto seguro, confortável. Meu projeto é cuidar da pessoas e cuidar delas começa pela casa. 


8 – O que é e como será desenvolvido o projeto “Zona Franca Social”?

É um incentivo a instalação de empresas em comunidades carentes. Damos incentivos fiscais e geramos empreendimentos nesses locais. Há mão de obra, há necessidade de emprego. O que falta é o incentivo. A prefeitura vai estimular esse movimento.


PRECISO DO VOTO DELA (CARMINHA JEROMINHO) E DE TODOS OS CARIOCAS



9 – Como o Sr. pretende administrar a máquina pública da cidade?

Com austeridade, responsabilidade e transparência. 


10 – O município corre risco de voltar a enfrentar a mesma crise que o Estado atravessa?

A situação financeira do município não está tão boa como diz o prefeito Eduardo Paes. Sabemos que há problemas na previdência, que há déficit em obras. Mas não creio que vamos chegar a situação dramática do Estado. 


11- Como o seu governo pretende gerir e lidar com o Carnaval?

A gestão do carnaval, do desfile das Escolas de Samba, é com a Liesa e permanecerá com a liga. O carnaval de rua terá da prefeitura toda a infraestrutura necessária para continuar sendo a linda festa que é. O carnaval carioca é uma das manifestações culturais mais importantes do Brasil. 


12 –  O que será feita com a estrutura resultante dos Jogos Olímpicos?

Vamos aproveitar. A cidade não pode ter elefantes brancos. Foram investidos muitos recursos públicos para deixarmos o legado sem uso. 


13 – Qual será a política pública para as favelas do Rio de Janeiro?

Cuidar das pessoas. As favelas precisam de serviços sociais. Precisam muito de saneamento. Os moradores das favelas convivem até hoje com esgoto a céu aberto, lama, altos índices de pneumonia, lixo. O poder público não está presente nas favelas. No meu governo, a prefeitura vai assumir a responsabilidade que tem com essas pessoas. 


14 – Como você irá lidar com as questões de ordem ambiental na cidade?

Vou me cercar dos melhores técnicos para lidar com as questões importantes da cidade. O meio ambiente é uma área que precisa melhorar, precisa evoluir. Uma praia como a de São Conrado não pode ter aquele vergonhoso despejo de esgoto. Guaratiba sofre com lixo, a atividade da pesca está prejudicada por pura falta de planejamento. As lagoas de Jacarepaguá são uma vergonha. Vejo isso como descaso, como falta de profissionalismo. Como prefeito, vou nomear os melhores quadros para solucionar os problemas da cidade. 


15 – A Passagem de ônibus custa 3,80, um valor considerado ilegal pela justiça. O sr. pretende reduzir o valor da passagem? Qual o seu projeto na área do transporte?

Meu candidato a vice, Fernando MacDowell, é um dos mais respeitados técnicos em transporte do Brasil. Um engenheiro renomado, um professor, que conhece profundamente nossos gargalos, o que não funciona e o que deve ser melhorado. Ele é o mais capacitado para dialogar com os empresários, o mais capacitado para dar ao cidadão do Rio um sistema de transporte decente. 


16 – Qual o seu projeto para a educação?

Ampliar o número de vagas em creches e escolas. Melhorar as escolas fisicamente. Nada de construir novas escolas porque o povo do Rio está cansado de grandes obras. As pessoas ficaram em segundo plano, as escolas caindo aos pedaços, funcionando em um horário integral disfarçado. Vou cuidar dos professores, das merendeiras, dos zeladores. Escola não é só obra. Meu plano é colocar a educação do Rio em uma posição muito superior a que estamos no IDEB. Não tivemos evolução. Paramos no tempo. 

     

AMPLIAR O NÚMERO DE VAGAS EM CRECHES E ESCOLAS 


17 – Qual o seu projeto para a saúde?

Acabar com o sofrimento das pessoas que precisam fazer uma cirurgia eletiva. É inconcebível que uma senhora, uma criança, fique meses em uma fila esperando por uma cirurgia de catarata, para fazer uma mamografia, para um procedimento de retirada de hérnia. Isso é desrespeito. Meu projeto é acabar com essa fila, com essa maneira indigna de tratar as pessoas. 

18 – Qual o seu projeto para a segurança ? Como se dará a integração entre a PM e a Guarda Municipal?

Defendo um novo papel para a Guarda Municipal. A Guarda hoje só multa, só reprime motoristas e camelôs. Não há integração, não há planejamento. A Guarda é subutilizada. Deveria estar presente nas ruas coibindo furtos, cuidando das pessoas. A Guarda no meu governo trabalhará mais integrada. 

19 – Qual o seu projeto para a área de Cultura na cidade?

Aumentar os recursos. A pasta tem 1% garantido por lei. Mas temos que ampliar esse valor, para que a cultura do Rio chegue a quem precisa. A cultura tem que estar presente em toda a cidade, principalmente nas áreas carentes. 


20 – Qual será a sua primeira medida como Prefeito do Rio?

Sentar com médicos e outros profissionais da área da saúde para zerar a fila de cirurgias eletivas. 


21 – Qual a sua opinião sincera sobre Marcelo Freixo?

Marcelo Freixo mudou radicalmente o tratamento comigo e passou a me acusar de forma muito injusta. Prefiro não opinar neste momento. 


22 – Por que as pessoas devem votar em você para Prefeito do Rio?

Porque tenho experiência e acredito que o Rio de Janeiro precisa de um prefeito que olhe para a população. O Rio não precisa de um síndico ou de um “tocador” de obras. O Rio precisa de alguém que converse, que dialogue, que ouça as pessoas. Como senador, tenho ampla experiência nesse diálogo. Tenho conhecimento, trânsito entre os partidos e uma enorme vontade de mudar a realidade da cidade. 

       ENTREVISTA CEDIDA A LEONARDO OLIVEIRA

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