Entrevista com Rebeca Gusmão

Rebeca Gusmão foi ouro, prata e bronze nos jogos Pan-Americanos do Rio e bronze no Pan de Winnipeg e de Santo Domingo. Participou das Olimpíadas de Atenas, mas teve o sonho da medalha olímpica interrompido por uma polêmica acusação de doping que destruiu a sua carreira no ano de 2007, após o Pan do Rio.

Lutou até onde pode para provar a sua inocência, tentou a carreira política, se viu envolta em outra polêmica só que fora das piscinas com seu ex médico, foi jogadora de futebol e participou da edição 2015 do reality “A Fazenda” e agora ela lança um livro contando a sua história.

O livro “Virada Olimpíca: a carreira, a queda e a superação” da Editora Alto Astral fala sobre sua trajetória desde o início no esporte ainda na adolescência, até os dias de hoje passando pelos momentos de maior turbulência na vida da ex-nadadora como a história do Doping, passando até por tentativa de suicídio.

Irá atrair a atenção do leitor os bastidores da investigação do Doping, que apresentou muitas contradições e irregularidades dentro do padrão normalmente apresentado, como por exemplo troca de frascos lacrados com material coletado, mudanças de procedimentos irregulares e a proibição de um médico designado por Rebeca (com permissão da lei) a acompanhar os exames de contraprova em seu último recurso pela absolvição (depois de 3 anos de investigação). Segundo ela, seu médico foi expulso irregularmente do laboratório onde aconteceria o procedimento. Foi inocentada da acusação em agosto de 2009.

Rebeca foi obrigada a devolver as medalhas que havia conquistado e a recomeçar a vida longe das piscinas.

Além disso, a ex-nadadora conta no livro um pouco de sua história, de como é fortemente ligada à família, da rigorosa rotina de atleta, dos dias difíceis durante a investigação, da grande depressão que a aproximou da bebida e da compulsão por comida e de tentar o suicídio por duas vezes.

 

REBECA COM A MEDALHA DE OURO GANHA NO PAN DE 2007.

Foto:Guilherme Pinto/ Jornal Extra

A segunda delas (depois de beber um coquetel com tranquilizante, veneno de rato e água sanitária e passar três dias em coma), foi o fundo do poço para iniciar a superação.

Esse trecho do livro conta bem o que aconteceu:

“No dia 29 de agosto de 2013 eu decidi colocar um ponto-final na minha dor. Aquela quinta-feira tinha sido marcada por mágoa e tristeza. Tirar a minha vida não seria uma atitude repentina, tomada por impulso em um momento ruim: eu vinha alimentando a ideia havia meses, e ela crescia muito rapidamente. Mas só vim a descobrir que ela tinha tomado forma quando voltei ao meu apartamento naquele final de tarde (…)”.

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Hoje, Rebeca trabalha como personal trainer e está aguardando a chegada de seu primeiro filho, Zeus, que tem nascimento previsto, por ironia do destino, para o mês das olimpíadas no Rio. Ela brinca que será o sonho da medalha olímpica realizado.

Nessa entrevista dada ao Blog do Léo ainda no lançamento do seu livro ela conta sobre o livro, sobre o que ela considera co.o injustiça sofrida, fala sobre as Olimpíadas do Rio e sobre a chegada de seu filho Zeus.


Foto: Fábio Carvalho/divulgação

BLOG DO LÉO – Rebeca, você conta no livro sobre tudo que passou, desde o doping a tentativa de suicídio. O que você pensava nesses momentos de dificuldade e o que te deu força pra passar por tudo isso?

REBECA GUSMÃO – Passou tudo que vivi até chegar a cada momento..tudo muito difícil porque parece que não vai passar nunca aquela situação…o que me deu força para sair foi Deus e as pessoas que estavam ao meu lado, mas principalmente Deus porque por mais que a família, os amigos estejam ali com você, foi com Ele que vivi os momentos mais angustiantes..ELE sabia o que eu pensava e sentia..

 

 Você sente que sofreu preconceito de pessoas e da própria mídia em relação ao seu caso?

 – O preconceito das pessoas sempre irá existir…o ser humano é uma invenção que não deu certo, então não sei muito o que pode sair deles…são raros os que são bons e sabem respeitar a vida e o sofrimento alheio. Quanto à mídia, essa infelizmente vive mais de notícias ruins, de desgraça e desastres.. Mas aí voltamos ao ser humano…traz mais felicidade saber que o próximo está no buraco porque daí não sentimos inveja, sabemos que nossas vidas estão melhores…foi muito triste o que a mídia fez comigo, esqueceram q tinha família, sentimentos, criaram inverdades…mas não foram todos, alguns aprofundaram mais e sabiam que o buraco era mais embaixo.

 

No lançamento da sua biografia, você falou sobre a sua vida e sobre a gravidez do seu primeiro filho. É um momento especial pra você né.

O mais especial de todos que já vivi

 

Sua maior decepção na vida foi não ter conseguido voltar ao esporte onde é campeã?

Não, minha maior decepção na vida foi o ser humano.

 

Seu filho vai nascer no período durante a Olimpíada do Rio de Janeiro. Como você vê esse momento especial da sua vida, e como você vê o momento do Rio e do país nos jogos?

Vai ser a melhor olimpíadas da minha vida porque já vou estar com minha medalha no colo. Não acho que o Brasil fará uma olimpíada como foram as anteriores…acho q muito vai deixar a desejar..mas nossos atletas farão a parte deles. País que vive escândalos como esse não pode perder o foco nem se distrair com outros acontecimentos.

 

 Você foi jogadora de futebol, foi candidata a deputada e participou do reality “A Fazenda”. Como você avalia essas experiências na sua vida?

Experiências novas, boas, e que aprendi bastante.

 

Você acredita que um dia vai ser reparada pela justiça pelas injustiças que sofreu?

Não luto mais por isso. A justiça divina é a mais importante pra mim. E ela tem provado todos os dias que as pessoas q fizeram o que fizeram não sairão impunes da justiça DELE.

 

Quais seus planos para o futuro?

Viver um dia de cada vez, aproveitando ao máximo cada passo do meu filho. Continuar como Personal trainer e palestrante.

8 Comentários

  1. Adorei a matéria.
    Força Rebeca, vc já está dando a volta por cima! Esse filho agregará mais ainda. Parabéns pela superação.
    Ótima matéria Léo.

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