Vingadores: O queijo suíço, por Daniel Mattoso

Por Daniel Mattoso

Passado um mês depois do furor de Vingadores, Fim de Jogo – a maior bilheteria do ano e atualmente a 2ª maior de toda a história do Cinema, precisamos falar do legado dos Vingadores, e agora, sem a preocupação de Spoilers.

As histórias em quadrinhos do gênero de Super Heróis, estão há mais de 70 anos em nossas vidas. E ao contrário o que acontece nas tramas orientais, que são contínuas e geralmente escritas por poucas pessoas, aas histórias da Marvel ou DC recebem muito mais investimento e autores. Com isso, cada autor, coloca sua visão em determinado assunto, personagem ou arco de histórias. E com isso, há um problema grave: a falta de identificação com diversas mudanças. Para não alongar, apenas vamos citar aqui o item mais polêmico nas histórias que é a morte. Tantos personagens morreram e reviveram, que fica mais fácil apontar aqueles que nunca voltaram dos mortos.
Com tantas mudanças, recomeços, decisões equivocadas, dá para entender como diversas gerações deixaram de acompanhar as histórias ao longo dos anos. E é justamente dessa bagunça editorial que vou fazer um paralelo ao filme recente dos Vingadores.

A experiência de assistir ao filme foi épica. A decisão de fazê-los voltar no tempo e revisitar o passado, com atores que fizeram a franquia tão especial, foi uma decisão acertada. O desenrolar que não foi. E aí que mora o perigo.

Tivemos alguns equívocos que vou mencionar aqui que darão um tremendo queijo suico:

– A viagem no tempo, com a “promessa” de voltar e “deixar tudo no lugar” – isso é uma decisão infantil e ao mesmo tempo incoerente. Na minha opinião, bastava uma ‘clonagem’ de uma das jóias para poder impedir o genocídio
– Os 5 anos se passando – Metade da população sumiu. Depois de 5 anos, a metade da população volta. Imagina, se, uma mãe some e deixou seu bebê a deriva. Como que será depois de 5 anos? Aquele bebê teria 5 ou 6 anos? Ele sobreviveria? Na minha opinião: bastava fazê-los voltar logo depois do estalo. A passagem dos 5 anos só serviu para mostrar a filha de Tony Stark e a filha do Homem Formiga maior.

– Morte de Tony Stark – Num filme épico desse, teria de haver mortes. Todavia, Tony morrendo provoca um problema para o futuro da Marvel. Agora que ele poderia se encontrar com o Reed Richards, o Sr. Fantástico, (do Quarteto Fantástico), não irá acontecer.
– Morte da Viúva Negra – Um dos poucos filmes confirmados, o tão esperado longa da Viúva Negra, vai ser um filme anterior. Por quê? Bastava deixa-la viva ou machucada… Na minha opinião, não precisava ter outro sacrifício para excluir a atriz dos planos da Marvel
– Troca da Gamora – Uma Gamora do passado surge no presente e se une ao time dos Guardiões da Galáxia. Sendo que, a Gamora original, estaria viva ou morta? Se estiver viva, teríamos 2 Gamoras. Se estiver morta, teremos um novo filme do “Guadiões da Galáxia” com uma Gamora de anos atrás sem ter vivido com os “Guardiões” os acontecimentos dos dois filmes anteriores (e mais o de Vingadores Ultimato)

– Morte da Nebulosa – Se o eu do futuro se encontra com o eu do passado e provoca a morte da versão do passado, como poderia o do futuro viver? A brilhante saga dos quadrinhos, dia de um futuro esquecido, o personagem Legião volta ao passado para matar o maior inimigo dos X-Men, o vilão Magneto. Mas acidentalmente mata seu pai, o professor Xavier, que se sacrifica para salvar o amigo. Imediatamente, Legião some, pois com a morte de seu pai jovem, ele não teria como procriar o David Haller. A minha opinião: Não mexesse com isso.

– Decisão do Capitão América – A mais bagunçada e equivocada de todas. Em um momento da linha do tempo, existiram três Steve Rogers ao mesmo tempo? Algo semelhante com o filme De Volta para o Futuro, que num momento da linha temporal do terceiro filme, há 4 veículos Deolorean ao mesmo tempo e na mesma cidade. Minha opinião: Ele poderia ter voltado, dançado, namorado, casado, mas não vivido no passado.

– Novos Vingadores – Essa decisão foi deveras equivocada. A maior história contada, apresentou umenorme potencial financeiro para os cofres da Disney / Marvel. Por isso, depois de celebrar a vitória, os Vingadores perdem muito de suas principais referências: Homem de Ferro – Capitão América – Thor e Viuva Negra não farão parte desse futuro. Visão, um bom personagem, também não estará lá: Sobrará para os personagens Pantera Negra, Capitã Marvel, Falcão, o controverso Soldado Invernal, Feiticeira Escarlate, Máquina de Combate serem o novo time. Nenhum desses personagens tem um carisma como os anteriores. Minha opinião: não terem mexido com a linha do tempo. Mas já que mexeram, consertem.

Com tantas inconsistências e respostas a preencher, o filme pode ser um verdadeiro tiro no pé, para afastar as pessoas mais racionais. Se forem tentar manter essa linha, irão afastar as pessoas exatamente como os quadrinhos fizeram ao longo dos anos.
Acho que a decisão dos executivos é válida, tendo em vista que o salário do Robert Downey Jr, já estava beirando o inaceitável. Porém o personagem é maior que o ator, assim como a franquia 007 e Batman que sempre tiveram diferentes atores, bastava fazer isso no Universo Marvel. Trocaram o Bruce Banner e o James Rhodes e pronto. Problema resolvido.
Mas me preocupa a decisão apresentada pelos irmãos Russo. Vingadores é um filme que tem uma experiência maravilhosa. Totalmente surpreendente. Mas as decisões da continuidade foram dignas de quem não aprendeu ao longo dos anos com a matriz de tudo: as histórias em quadrinhos.

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