Renan Portela: Horas contadas para o ditador

O regime ditatorial da Venezuela, comandado pelo insano Nicolás Maduro, está felizmente perto do fim. No fundo, o ditador que de maduro não tem nada, sabe que uma tentativa de saída honrosa é seu norte mais promissor, embora isso ainda deva se confrontar constantemente com seu apego fetichista ao poder. As horas estão contadas! Só nos resta saber quando e como!

Não existe resistencia possivel para os que de maneira hipócrita dizem defender a democracia, mas defendem o ditador e suas violações aos direitos fundamentais da dignidade humana, apegando-se à premissas de “bem maior” e paranóias relacionadas aos interesses de países que de antemão enxergam ideologicamente como inimigos.

Muito me envergonha os que deixam de lado as questões humanitárias para permanecer com o sabor do saco do ditador na boca. A vontade de não contradizer as ideias que defendem, não pode ser maior do que a sensatez diante dos fatos!

Você pode, respeitando seus opositores, continuar sendo de esquerda. Pode continuar sendo progressista, pode continuar levando premissas de pensamento socialista ao mundo, pode continuar sendo crítico aos problemas do sistema capitalista e propor soluções democráticas para tal. Você não precisa tolerar e passar pano para Nicolás Maduro para fazer isso! Você não precisa rebaixar a humanidade do povo venezuelano para se manter coerente com seus princípios! Maduro sequer se preocupa com o povo de seu país, sequer defende de fato um projeto para além de seus interesses pessoais e do que alimente sua autoimagem de poder.

Sequer considero, por exemplo, que a oposição venezuelana, encabeçada hoje pelo reconhecido e autoproclamado Juan Guaidó, pode ser considerada de direita (usando nossas rasas classificações do cotidiano), longe disso. Mas o Presidente Guaidó tem meu total apoio e respeito ao enfrentar o ditador e seus suportes que insistem em usurpar a Venezuela.

Obviamente me dirijo aos progressistas que ainda possuem alguma noção diante da realidade. Sabemos que, para alguns que são mais radicais e moldados por dogmas tolos, as medidas de Maduro são necessárias para resistir ao imperialismo e toda a cartilha já bem decorada por todos nós. São justificáveis para a engenharia social daquele povo rumo aos objetivos finais do partido. São belas por se confrontarem com as noções de democracia burguesa. São uma resistência aos atores globais que empurraram a Venezuela para esse estado deplorável. São uma defesa perante os interesses internacionais nas reservas de petróleo do país. Etc. Só consigo enxergar dois grupos de pessoas que ainda defendem o fã de jantares de luxo: os iludidos e os sem escrúpulos!

Ao fechar fronteiras, erguendo seu muro de Berlin e impedindo ajuda humanitária, violentando civis, rompendo diálogo e ameaçar vizinhos, Nicolás Maduro instaurou uma espécie de Guerra Fria na América Latina. A justificativa de Maduro (que não surpreende) é de que a ajuda humanitária ao seu sofrido povo é interferência externa, coisa que o ditador não se incomodava quando essa interferência externa acontecia através de ajuda financeira de países que beijavam sua bota, como o próprio Brasil em governos anteriores.

Enquanto milhões já deixaram a Venezuela e o povo busca maneiras de resistir ao regime, sobreviver e lutar por alguma liberdade, Maduro se sustenta balançando no seu exército comprado. Resta saber quanto tempo esse próprio exército poderá se sustentar às custas do ditador. Além do exercito oficial, Maduro também conta com a Milícia Nacional Bolivariana, que conta com um número superior de integrantes que o exército oficial, cunhada de maneira “voluntária” como uma união cívico-militar.

Além disso, a compra de fidelidade por patentes alcançou números surreais no regime: a Venezuela teria em seu quadro 2 mil generais. Isso significa que o nosso país vizinho possui mais generais que todos os países membros da Otan somados. Isso para não citar o envolvimento de seus membros no contrabando e no tráfico de drogas, com incentivo e permissividade de Maduro.

Resta saber: até quando essa fidelidade poderá ser alimentada? Nelson dizia que o dinheiro comprava até o amor verdadeiro, mas também sabemos que o amor não enche barriga. A tendência é que a resistência caia por sua própria incapacidade de se sustentar, ou que novas lideranças se elevem de dentro dela para tentarem manter o poder, negligenciando Maduro. Nessa equação, precisamos adicionar o componente externo que Maduro verá como positivo: até que ponto Rússia e China estarão dispostos à apoiar o regime chavista e tentar segurar Maduro, sabendo das proporções imensuráveis que uma faísca pode gerar em âmbito global?

Mesmo com o sopão de generais e milicianos radicais que a Maduro ostenta, somente o Brasil já é considerado por qualificadores internacionais como potência militar superior à Venezuela. O Brasil e os membros do Grupo de Lima, além dos Estados Unidos, estudam de maneira correta medidas para minar o poder de Maduro e convocar novas eleições na Venezuela (de fato democráticas) em curto prazo, evitando ao máximo a ação bélica.

Com a liderança dos Estados Unidos, que aglutinou um imenso bloco de países europeus e americanos com esse propósito (infelizmente não contando nessa com o México do presidente esquerdista Obrador ), a estratégia vigente é a de deixar Maduro encurralado e desmoraliza-lo ao máximo, tornando sua tentativa de manter-se no poder cada dia mais inútil. Incluso nesse sentido está o reconhecimento cada vez mais amplo da comunidade internacional de que Juan Guaidó é hoje o presidente interino da Venezuela, e com ele as questões devem ser tratadas.

Nos países que reconhecem Juan Guaidó como presidente estão:

Brasil; Estados Unidos; Canadá; Alemanha; Reino Unido; França; Argentina; Chile; Colômbia; Holanda; Suécia; Israel; Espanha; Áustria; Peru; Austrália; Paraguai; Equador, entre outros.

Continuam reconhecendo e apoiando a permanencia de Maduro:

Rússia; China; Cuba; Bolívia; Nicarágua; Turquia; México e Irã.

Maduro espera provocar sem dar o primeiro tiro, para manter sua posição grotesca de vitima. Não se sabe até quando uma intervenção bélica na Venezuela poderá ser mantida como carta na manga com civis sendo alvejados e agredidos nas fronteiras , mas até então a postura dos aliados contra o regime me parece correta. Tudo depende dos próximos passos de Nicolás Maduro nesse jogo de xadrez, considerando sua postura com os vizinhos e com seu povo. Não há a menor possibilidade de real manutenção do regime se o cenário descambar para uma intenção que envolva, de maneira efetiva, ação militar dos países que o cambatem. De qualquer maneira, os raios de luz da liberdade começam a dar os primeiros sinais de vida nos céus venezuelanos.

O assassino ditador Nicolás Maduro poderia evitar tudo que está acontecendo (e tudo que pode acontecer) dando-se por vencido, largando o osso do poder e dando ao povo a chance de realmente decidir o futuro de seu país de maneira limpa, transparente e democrática. Porém, estamos falando de um rei insano com ilusões de grandeza!

Aos bons, vamos acompanhar os próximos episódios deste tenso embate, torcendo para dias melhores na agenda de nossos amigos venezuelanos. Deixo com vocês uma infeliz certeza: Maduro vai jantar bem essa noite!

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