O fechamento das Bibliotecas Parque no Rio

Hoje fechou um dos lugares que eu considerava um dos meus preferidos na cidade: A Biblioteca Parque Estadual. Por conta da enorme crise que o estado do Rio atravessa, somos nós que pagamos a conta, agora com o fechamento de um espaço que era sem dúvida um dos mais plurais, democráticos e interessantes de cultura do Rio de Janeiro.

O contrato entre o Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), orgão que administra as Bibliotecas e a Secretaria de Estado de Cultura não foi renovado e não se sabe ainda se o município do Rio, agora com Crivella passará a administrar a Biblioteca. Há a expectativa de que sim.
Já em Niterói, não vai fechar pelo fato da Prefeitura da cidade passar a administrar o local.

Curiosamente nesse mês a BPE recebeu esse mês o prêmio IPL Retratos da Leitura na categoria Biblioteca Pública ou seja, o espaço era uma referência e não possuía motivo algum para fechar.

Não é a primeira vez que a BPE é fechada. Aconteceu isso também em Novembro de 2015 por falta de repasses do Governo do Estado ao IDG mas logo após voltou a reabrir.
Matéria sobre o fechamento da Biblioteca em 2015

29 de dezembro de 2016, 156 funcionários demitidos, famílias que já se encontravam em dificuldades, agora sofrem ainda mais.

No contexto disso tudo um governo que nunca se preocupou com a educação e com o futuro. Um governo que foi o mais simbólico na corrupção dos seus governantes tendo sido preso, o chefe da quadrilha Sérgio Cabral. Infelizmente isso é consequência do enorme abandono que o Estado faz nos últimos tempos com a sua população.

Eu fui lá pela primeira vez em 2006, já que eu estudava ali por perto e fui lá consultar alguns livros de matemática e química para uma prova. Ali ainda era a antiga estrutura da Biblioteca Estadual Celso Kelly que depois em 2014 se transformou em um dos melhores espaços culturais da América Latina não devendo nada a nenhuma biblioteca norte-americana, asiática ou europeia. Era moderno demais.

Lugar grande, dava pra descansar além de ler, dava pra ver filme e você poderia escolher do filme clássico ao filme de comédia. Dava pra ler jornal, revista, você lia a biografia de quem você quisesse, lia o livro do que você quisesse. Tinha Internet liberada e era ótimo porque eu usei muito para fazer pesquisas. Vários dias o Blog teve publicações feitas direto da Biblioteca porque faltava internet na minha casa  e eu então ali fazia o meu segundo lugar de trabalho. Vou sentir saudade de lá.

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FOTO: RICO BRANCO

Me sinto impotente e ao mesmo tempo revoltado em ver isso acontecer, em ver que mais uma vez a cultura paga o preço alto da safadeza e da corrupção dos seus governantes. A BPE é um patrimônio nosso.

Quando estive lá pela última vez, me perguntei se a crise iria destruir um dos únicos lugares onde ali não tinha cor, credo, gênero, classe social. Ali a educação, a cultura, o entretenimento eram para todos. Mesmo!

A BPE foi criada para oferecer  um acervo de mais de 200 mil itens de ficção e não ficção, livros de arte, quadrinhos, Biblioteca Infantil e 20 mil filmes. O espaço promovia também experiências únicas com oficinas, cursos, plataformas multimídia e atividades em uma diversidade de linguagens artísticas.

Minha amiga Gabriela Araújo, estudante do ensino médio publicou em seu Facebook:

É triste o que tem acontecido com o nosso estado. É deplorável ver algo que funcionava tão bem indo por água abaixo.Talvez seja o serviço disponibilizado pelo estado que mais funcionava como deveria.
Como foi ótimo ter conhecido funcionários maravilhosos. Tanto na unidade do Centro, quanto a daqui de Manguinhos. Serviços maravilhosos de gente que se importava com acesso à cultura.
Há um ano temos lutado para não fecharem nossas bibliotecas. NOSSAS
Tão arrancando de nós algo tão valioso e tão bonito… Tão tirando o que é da gente por direito.
Tenho acompanhado de perto manifestações, conheço pessoas que dependiam do funcionamento da Biblioteca Parque Estadual por algum motivo.. Eu realmente não consigo descrever como me sinto no momento. Ver tamanha injustiça e não poder fazer nada me entristece.

O não poder fazer nada nesse momento entristece, nos deixa sentidos, com muita raiva do que aconteceu. É ver que a crise que atinge o estado chega a níveis como esse, onde não se pode mais oferecer o mínimo de cultura.

Projetos como esse, vão ficando cada vez mais raros no Brasil, vide o fechamento da Escola de Arte e Tecnologia Oi Kabum!, o projeto mais revolucionário de educação, arte digital e audiovisual que eu conheci, numa parceria do CECIP, Oi Futuro e da Oi no Rio de Janeiro.

Ponto de encontro de estudo, de grupos de teatro, de pessoas que queriam apenas ler um livro e tinham ali um espaço mais do que incrível para isso, a BPE deixa um vazio e uma enorme torcida para que o espaço volte, nem que seja pela iniciativa privada, pelo Prefeito Crivella ou que Pezão tome vergonha na cara, pague as pessoas.

Educação e cultura são direitos de todos, o espaço é público, é nosso….

Secretaria de cultura do Rio de Janeiro Eva Dóris Rosental, isso também está na sua conta. Você também tem responsabilidade nisso tudo apesar de ser muito claro que com o estrago que Pezão e Cabral fizeram, você não tinha muitas alternativas.

Obrigado Pezão, Cabral, Dornelles, PMDB… olha a merda que vocês estão fazendo com o nosso estado.

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FOTO: ANDRESSA FRANÇA 

HISTÓRIA DA BIBLIOTECA ESTADUAL DO CENTRO DO RIO DE JANEIRO 

Foi criada em 15 de março de 1873 em proposta do então presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, o Tenente-Coronel Antônio Barroso Pereira que foi recebida e aprovada por unanimidade e inaugurada por Dom Pedro II em 2 de dezembro de 1874 — data de seu 49º aniversário  — no anexo do Arquivo da Câmara Municipal situado no Campo da Aclamação atualmente Praça da República na esquina da rua Conde d’Eu, hoje rua Frei Caneca se chamando então de Biblioteca Municipal do Rio de Janeiro.

Em 1882, na sua primeira transferência, foi para o Palácio da Prefeitura, na praça da República, no entorno do Campo de Santana. Mais tarde foi provisoriamente transferida para a Escola Orsina da Fonseca. Depois, na mesma rua da escola, a antiga rua General Câmara, ganhou instalações próprias. Em 1891, mudou de nome para Biblioteca Municipal do Distrito Federal, com a criação do Distrito Federal após a Proclamação da República.

Em 1943, mudou-se para recém-inaugurada avenida Presidente Vargas, no número 1261, seu último e atual endereço. Com a mudança do Distrito Federal para Brasília, em 1960, passou a se chamar Biblioteca Estadual da Guanabara. Em 1975, com a fusão dos Estados da Guanabara e Rio de Janeiro, virou Biblioteca Estadual do Rio de Janeiro.

Em 1980, ganhou nova denominação: Biblioteca Estadual Celso Kelly

Um incêndio em 20 de janeiro de 1984, destruiu parte do prédio e do acervo da biblioteca, que continuou no mesmo endereço, em um novo edifício, inaugurado em 12 de março de 1987, refletindo a visão progressista para as áreas da educação e da cultura de Darcy Ribeiro, à época vice-governador de Leonel Brizola e com a denominação de Biblioteca Pública do Estado do Rio de Janeiro. Em 1990, o espaço voltou a se chamar Biblioteca Estadual Celso Kelly.

Fechou para obras em outubro de 2008, dentro do projeto de modernização, qualificação e informatização das bibliotecas públicas do estado do governador Sérgio Cabral Filho e foi reinaugurada em 29 de março de 2014 como Biblioteca Parque Estadual com a exposição sobre Vinicius de Moraes. Durante as obras de modernização, entre 2008 e 2014, um sítio arqueológico foi encontrado no terreno que pertencia à Igreja de São Gonçalo e Garcia e São Jorge, vizinha à biblioteca.

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FOTO: SARAH GONÇALVES

BIBLIOTECAS PARQUE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 

As Bibliotecas-Parque representam uma mudança de paradigmas que tem transformado o acesso à leitura mundo afora. Bibliotecas deixaram de ser o local onde estão reunidos livros e revistas impressas para se tornarem o espaço de acesso à informação e ao conhecimento em múltiplos formatos. Bibliotecas públicas só têm significado se contribuírem para enriquecer a vida do usuário. É a partir dessa premissa que foram desenvolvidos os projetos das bibliotecas- parque.
Inspirada nas bibliotecas-parque de Medelin e Bogotá, na Colômbia, a Biblioteca Parque de Manguinhos, inaugurada em abril de 2010, é a primeira de uma série de espaços criados, em áreas de risco, para oferecer aos usuários acesso imediato e fácil à informação. Dessa forma, criam um ambiente de convivência e convergência na comunidade, contribuindo para a diminuição da violência e para a inclusão social.

A Biblioteca-Parque de Niterói foi a segunda da rede de Bibliotecas-Parque que a Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro (SEC) implementou. Após cuidadosa obra de restauração, a BPN foi reinaugurada em julho de 2011 e transformada num espaço pautado pelo livre acesso de informação.
Inaugurada em junho de 2012, a Biblioteca-Parque da Rocinha oferece, entre outros serviços, acesso livre às estantes, empréstimo domiciliar, acesso gratuito à internet e atividades para crianças e jovens. Entre os setores, CDteca e DVDteca, Jardim de Leitura e Sala Multiuso.

Em abril de 2014, seguindo os mesmos padrões das biblioteca- parque de Manguinhos, Rocinha e Niterói, foi reaberta a Biblioteca-Parque Estadual, que passou a ser a matriz da rede de Bibliotecas-Parque que o Governo do Rio de Janeiro está implantando no estado. A nova BPE se transformou num polo de atividades culturais, informação e lazer acessível a todos, sem restrição de idade, região de domicílio ou nível de formação. E há, ainda, a Ocupação Cultural do Alemão, na Estação Palmeiras do teleférico, futuramente a Biblioteca-Parque do Alemão.

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