Se não tiver Carnaval, não pode ter mais nada no Rio

Rio de Janeiro, semana passada: o centro do Rio ferve com a inauguração de um famoso bar, shows acontecem pela cidade, missas e cultos acontecendo normalmente, festas acontecendo, inclusive com a presença do prefeito Eduardo Paes, mas desde algum tempo se ouve que não pode ter Carnaval, que o carnaval é causador da Covid, que o carnaval é isso, aquilo

Ou seja, para algumas pessoas, o carnaval que só acontece daqui há cinquenta dias, é o culpado da transmissão da Covid.

Por que não pode ter Carnaval? Se não pode ter Carnaval, por que o Rock in Rio pode? O futebol pode? O transporte público pode? Os bares lotados? Tudo pode mas só o carnaval, daqui a 50 dias, não pode

A Covid está aí, talvez não saia tão cedo com suas variantes e é preciso esperar um pouco mais pra dizer em relação a Omicron, apesar de se ver que mesmo não sendo tão letal como a Covid, também é muito transmissível

Se a cidade chegar a níveis como os de um ano atrás, é uma outra discussão, mas ainda não é o caso

É preciso esperar, é preciso avaliar as condições sanitárias do momento, é preciso também lembrar que em 2022, o Rio ainda não teve nenhuma morte por Covid. Graças a vacina. Mas não adianta falar do carnaval e não observar o que é a cidade hoje, com absolutamente tudo funcionando, com o transporte público lotado.

Quais as restrições hoje em vigor pela cidade? Pouquíssimas

Qual o debate para viabilizar hoje o desfile das escolas? Nenhum. Pelo contrário, querem o cancelamento

Ainda que seja difícil, deveria se criar mecanismos e cuidados para o desfile das escolas de samba acontecer

Criou se uma discussão equivocada, fomentada por políticos de que o carnaval da Sapucaí é da elite. Não é verdade. De fato, os camarotes cobram ingressos caríssimos e muita gente rica vai, mas o carnaval é muito mais do que isso. É feito por gente humilde que trabalha nas suas comunidades pelas escolas e depende da folia para se sustentar. Pessoas das alas, passistas, mestres de bateria e etc. A maioria dessas pessoas tem sua origem nas camadas populares do Rio. A origem da festa, tudo que representa é muito do povo.

O carnaval seja talvez o único evento em que pessoas de todas as classes sociais estão ali curtindo juntos, em pé de igualdade. Então não há sentido essa polarização, alimentada por setores até mesmo de esquerda.

É o trabalho de um ano inteiro de toda uma coletividade que se dedica ao espetáculo

O carnaval ano após ano, tem sido atacado de todas as formas. As escolas de samba tem sido atacadas de todas as formas. Eu trabalho no carnaval desde 2015. Cobri os desfiles por cinco anos na Sapucaí, conheci pessoas fantásticas que levo para a vida toda. Tenho certeza que num quadro mais grave, eles seriam os primeiros a pedir o adiamento. Mas não, não é o caso. Ainda.

E a Intendente Magalhães? O que será daquelas escolas de samba sem o carnaval, mais uma vez? O trabalho de um ano inteiro jogado fora? Dois anos na verdade.

E digo mais, quem garante que se o carnaval for adiado ou cancelado não teremos aglomerações ou festas na cidade?

O carnaval é importante para o turismo, mas principalmente para a cultura, para o sentimento de pertencimento do povo.

O carnaval não merece ser esculachado como tem sido, ele merece respeito. As escolas de samba merecem respeito.

Por isso, a Gazeta do Rio defende, com todos os cuidados, que já deveriam estar sendo debatidos nesse momento, a realização do carnaval no final de fevereiro. É preciso avaliar todas as condições, mas ainda não é o caso e nem o momento de falar em cancelar. Isso é ataque. Direcionado e esperado de quem nunca gostou da festa. Nesse momento, a nossa posição é essa

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