Kéfera e o Deus zoeiro!

Nessa semana um dos assuntos que mais fizeram barulho na internet foi uma piada feita pela youtuber e atriz Kéfera Buchmann em um dos seus videos. Em um momento do vídeo Kéfera fala de meninas que são bonitas sem o menor esforço e diz basicamente que é como se deus estivesse se masturbando quando as criou. A piada é boa? A piada é ruim? Bom, não foi isso que me chamou a atenção, e sim a polêmica toda criada pelo fato da garota ter feito uma piada com um simbolo religioso, o que para os protagonistas do tal chilique seria algo absurdo e ofensivo.

Em primeiro lugar penso no quão estupido seria um Deus que se ofenderia com uma piada, já pensaram nisso? Me desculpem, mas não consigo conceber um ser supremo de sabedoria e inteligência se irritando com uma piada. Por que diabos as pessoas personificam Deus como bem entendem, e normalmente dessa maneira séria e antipática? Se Deus existe, porque ele não pode ser brincalhão e zoeiro? É preciso ser carrancudo para ser um Deus? Saber rir de si mesmo e não se ofender com bobagens não são sinais de sabedoria? Honestamente o Deus pintado pelos que se ofenderam me soa como um tremendo de um babaca cheio de frescuras.

Outra coisa que me incomoda é a hipocrisia! Quem já leu outros textos meus sabe o quanto odeio a patrulha moralista do politicamente correto, e curiosamente a maioria dos conservadores religiosos que vi atacarem a Kéfera são os mesmos que também se voltam contra o politicamente correto característico da politica esquerdista. Só é “mimimi” quando é com os outros, é isso? Só é ofensivo quando afeta as suas crenças? Creio que a seletividade moral seja um dos maiores problemas dos nossos tempos!

Ouvi essas pessoas dizerem que piadas com religião, como a feita pela kéfera, ofendem as pessoas de maneira muito forte porque atingem a fé delas e blá-blá-blá, como se a própria fé das pessoas não pudesse ser motivo para questionamentos e piadas. O que as pessoas precisam entender é que atacar ideias (mesmo considerando que kéfera não quis atacar nada) é muito diferente de atacar pessoas, e que crenças são ideias. Quando você se ofende de maneira pessoal porque alguém criticou, questionou ou fez uma piada sobre uma ideia central da sua vida, isso se chama RADICALISMO, seja por seu time de futebol, sua vertente politica, sua religião. Em graus diferentes é o mesmo nível de pensamento que faz com que retardados armados invadam a redação de uma revista atirando em pessoas que não compartilham sua crença por conta de uma charge com sua divindade favorita, deu pra entender?

Eu não possuo religião hoje, mas quando era criança e católico sempre me confundiu a ideia de um Deus que era ao mesmo tempo amoroso e temido por todos. Sempre tive pra mim que o medo não era sinônimo de respeito, da mesma forma que o politicamente correto não é sinônimo de verdade. Ao mesmo tempo que o politicamente correto é uma hipocrisia por carregar em si uma mentira, já que “não te dizer o que penso já é pensar em dizer”, eu assisti inúmeros colegas de religião não fazendo coisas que julgavam certas porque Deus (de acordo com sua religião) dizia que era errado, e não porque de fato achavam errado, ou seja: Seus atos também eram falsos e desprovidos de convicção moral. Essas pessoas simplesmente viviam com medo de serem punidas, de irem para o inferno.

15135278.jpeg

Lembro que por volta dos meus 12 anos, por exemplo, ouvi o padre na missa falar sobre o quanto era errado praticar sexo antes do casamento, e meu pensamento já me movia a discordar disso. Eu pensava que adoraria questionar Deus (o Deus que eu amava até ali) sobre aquilo, porque esse era um Deus que merecia o meu respeito, e não um Deus ditador. Um sábio é aberto a questionamentos, é aberto a ouvir e considerar a visão alheia, mesmo que o questionamento parta de alguém numa posição inferior, poque isso faz um líder, ao contrário de um tirano. Tenho para mim que a liberdade é o maior dos valores e que jamais me ajoelharia diante das vontades de um tirano simplesmente porque ele é uma divindade com poderes infinitos.

Sempre me incomodou a frase “com Jesus não se brinca”, porque minha imagem de Jesus era muito positiva. A imagem era de um cara gente boa, inteligente, capaz de se impor quando necessário, bondoso, e principalmente um grande líder. Quando alguém dizia que com Jesus não se podia brincar por conta de uma piada qualquer eu sempre pensava: Jesus iria se ofender com essa piada sobre ele ou iria rir e devolver com outra piada? Conseguem entender? De um lado tenho a figura de Jesus que eu trazia em mim, alguém incrível e que merecia todo meu respeito e admiração, um personagem encantador. Do outro lado o Jesus (no caso da Kéfera Deus) que grande parte de seus seguidores insiste em representar e apresentar: Um Jesus afetado demais e cheio de não me toques, cujo meu respeito dificilmente seria capaz de conquistar. Pensem: Seu Deus se ofenderia mais com uma piada sobre ele mesmo ou com seus fervorosos seguidores que na aflição de defende-lo atacam o autor da piada sem considerar que é apenas uma piada?

Eu não tenho medo de falar ou fazer piadas com qualquer coisa que seja, ceio já ter ficado claro que a liberdade é o bem de maior valor pra mim, mas muitas pessoas sentem medo de falar o que querem dizer por conta das reações dos fãs clubes. Se sua religião, sua bandeira politica, ou de qualquer outra coisa que você faz parte causa medo nas pessoas quando pensam em se manifestar, talvez você devesse refletir sobre isso.

VEJA A PARTIR DOS 3 MIN E 20 SEGUNDOS

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*