Mais um Campeonato Carioca está prestes a começar e com ele aquele velho chavão de que é o mais charmoso Estadual que o país tem. Só que dessa vez o torneio está desfalcado de uma de suas maiores atrações: O Maracanã.
Abandonado, largado, sujo, sem perspectiva alguma de quando vai ter algum jogo.
Em qualquer país sério os responsáveis pela obra e por quem administra o Maracanã estariam presos. Apesar que Marcelo Odebrecht e Sérgio Cabral estarem presos não significa que possa salvar algo do fato do maior estádio do mundo estar em petição de abandono.
1 Bilhão e 200 milhões de reais numa obra faraônica que durou três anos e que foi completada as pressas. Eu ainda trabalhava como Parceiro do RJ na Globo e vi quando eu fazia uma reportagem sobre o jogo de reabertura do estádio “Brasil x Inglaterra” em 2013 que ainda tinha obra rolando nos arredores do estádio, com direito a muito cimento e tijolo. A pauta que pretendia enaltecer a volta do estádio acabou sendo a dos problemas de acesso ao estádio e a obra ainda inacabada.
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A obra que custaria 700 milhões foi colocada por causa de 16 termos aditivos para 1,2 bi para quê? Para vermos após a Rio 2016 um estádio totalmente abandonado e sem perspectiva? Gramado em péssimo estado, cadeiras quebradas, vestiário sujo e com instalações abaixo da média. Ou seja, quem está administrando o estádio?

A liminar que saiu ontem, 14 de Janeiro obriga a Odebrecht a reassumir a gestão após abandoná-la alegando que a Rio 2016, que já se dissipou não entregou o estádio da maneira como deveria. Ou seja, mais bagunça e desorganização.
E quem perde com isso? Quem perde com o Maracanã sendo assaltado e saqueado por bandidos e sendo usado por políticos, empreiteiros e empresários tão ou mais bandidos quanto os de chinelo e bermuda para roubos também afinal quem lucrava com os atrasos nas obras? Quem lucrou com 5% de propina da obra do estádio?

Bob Martin for OIS/COI/AFP
Quem perde com isso é eu, você, o torcedor comum que só quer ir ao Maracanã ver o seu time jogar numa tarde de domingo ou uma noite de quarta. Ressaltando que as noites, a iluminação que fazia do estádio um lugar seguro para corridas nem existe mais. Ou seja, palco de mais assaltos na região, conhecida por ser insegura normalmente.
A primeira vez que eu fui ao Maracanã fui ainda criança assistir a um jogo do meu time, o Fluminense pela Série B do Brasileirão de 1998. Depois fui em 2006, numa noite gélida assistir a um triste empate do Flu com a Ponte Preta. Mas ali vi grandes jogos, vi títulos serem ganhos e perdidos. A experiência que eu tenho é a mesma que muitos de vocês tiveram. O Maraca é mais que um simples estádio de futebol. É um patrimônio mundial. Patrimônio afetivo também, afinal quantas vezes choramos de emoção com um gol. O Maraca é diferente. Por isso a tamanha necessidade dele voltar a ser o que sempre foi: O maior palco do futebol brasileiro.
Privatização do estádio. Não há outra escolha. A escolha ideal seria Flamengo e Fluminense, os dois times que jogam mais vezes no estádio assumirem a gestão tendo uma empresa administradora por trás. Não há condição alguma do Governo do Estado administrar com tantas urgências ainda maiores, como a UERJ por exemplo.



O Governo do Rio é o dono do estádio. Em 2013, organizou uma licitação e concedeu o espaço a um grupo de empresas controlado pela Odebrecht, a Maracanã SA. Acontece que o negócio nunca deu certo. Neste ano, a Odebrecht decidiu deixar a administração da arena.
Tudo o que queremos é ver o Maracanã de volta. De volta ao povo, de volta a população QUE PAGOU PELA OBRA. Tanto dinheiro gasto pra quê? Pra isso? Mar de lama usando o nosso maior estádio, o maior prejudicado? O torcedor.
O maior beneficiário? Quem nos rouba na cara de pau e sorri.
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