Obrigado Jô

Jô Soares encerrou mais um ciclo na sua longa e vitoriosa carreira: 16 anos no comando do Programa do Jô na Globo. 

A Globo decidiu ainda em 2015 que a temporada 2016 do Programa do Jô seria a última. 

Foram 16 anos de Rede Globo numa segunda passagem. Jô estreou no formato em 1987 no antigo Jô Soares Onze e Meia no SBT, programa que estreou o gênero talk-show na televisão brasileira. O Programa do Jô termina por única e exclusiva decisão da Rede Globo de Televisão.  Uma decisão extremamente burra. Uma televisão do tamanho da Globo não deveria permitir que um patrimônio da emissora simplesmente saísse assim, dessa forma. A mesma coisa com Xuxa, que não tem a cara da Record, ela é um patrimônio da Rede Globo. 

Mas por que? Pensando no sentido de que na televisão é preciso haver renovação faz sentido. Apenas a efeito de comparação, os dois principais apresentadores de talk-show dos EUA, Jay Leno e David Letterman se aposentaram depois de anos apresentando seus programas. 

Por outro lado, a Globo sabendo que seria a última temporada, preparou a melhor temporada do Jô esse ano acertando a medida em entrevistados sem falar no sensacional “meninas do Jô”. 

A verdade é que Jô Soares faz parte do imaginário de muita gente que já sonhou em sentar no sofá sendo entrevistado por ele. Quando eu era pequeno tinha o sonho de ir ao programa dele, sonho que permanecia até hoje. Na adolescência assisti a temporadas religiosamente todos os dias, como as de 2004, 2005 principalmente e 2006. Entrevistas históricas, entrevistados marcantes. 

Esse ano a temporada foi especial, emocionante e melancólica. A melancolia do final de ciclo deixa sempre um vazio na gente.

Certamente Jô  que é um dos maiores artistas do país não precisa provar nada a ninguém. Um artista que se reinventou e se reinventa diariamente e que teve seu programa diminuído de forma errada pela Globo ano passado pra ficar mais intimista. O sexteto virou quarteto. Outra bobagem. 

Certamente esse ano foi a melhor temporada. Vou aqui citar somente alguns entrevistados dele esse ano: Ziraldo, Antônio Fagundes, Neymar, Faustão, Tarcísio Meira, a ex-presidente Dilma Rousseff enquanto presidente, Boni e o último e mais emblemático que foi o Rei Roberto Carlos, numa entrevista linda, emocionante, ali víamos dois amigos e todo o clima que cerca a despedida de Jô contribuiu para que as emoções fossem ficar a flor da pele. 

Jô levava ao seu programa pessoas de diferentes classes e posições sociais. No mesmo programa ele poderia entrevistar um camelô e um ministro de estado por exemplo. Entrevistas deliciosas do Tom Zé ou então quando conhecemos a saga de Joseph Glimber, uma dos momentos mais marcantes, ou levando ao programa figuras como Enéas Carneiro e José Maria de Almeida que ora eram ignorados pela grande mídia, incluindo a Globo. 

Jô Soares não é o tipo de pessoa que vá sair da televisão e passar o resto da vida em casa. Ele tem sede, fome por trabalho. Workhaolic ao extremo, não vai ficar parado. Outras emissoras já estão de olho, como SBT e Record. 

Existe a possibilidade dele fazer seu programa no canal a cabo Multishow ou GNT também. Não há também previsão de outros projetos dele na Globo. 

Jô não pode ficar fora do ar, não tem o direito. Gênio não pode deixar de fazer aquilo que gosta. Ele gosta, se sente bem. A televisão precisa de figuras como ele que levantam a moral e sabem rir de situações mesmo quando tudo está difícil. 

José Eugênio Soares, o Jô não deixa seguidores no Brasil com o seu estilo: Porchat na Record e Danilo Gentili no SBT fazem mais humor que entrevista. Adnet na Globo faz um programa diferente. Talvez a mídia não tenha entendido a real proposta do “Adnight”. Jô falava de tudo, era um bate-papo com o entrevistado. 

Jô tem um legado na cultura brasileira com suas peças, textos, livros. Como um homem que se preocupa em dar voz em seu programa a quem quiser ter voz. 

Jô não ficará fora do ar por muito tempo tenho certeza disso. Acabou a era Globo, não acabou o mundo. Existe vida fora da Globo Jô.

Obrigado. Muito obrigado. Por ter dado opção nas madrugadas em que não tinha nada na televisão de interessante pra ver. Obrigado porque através de entrevistas suas, mentes começaram a se abrir a partir de então.  


Alex, Bira e sua risada inesquecível, Derico e cia. Aliás, o quarteto não pode voltar. O que tem que voltar sim é o sexteto. Todos reunidos. Como sempre foi e sempre deve ser. 

 Volta logo! Estamos esperando pelo beijo do gordo todas as madrugadas na nossa TV. 

Obrigado Jô! 

Um beijo do magro com barriga 

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