Luiz Antônio Villas-Bôas Corrêa morreu na noite desta quinta-feira (15) com falência múltipla de órgãos. Mais antigo jornalista político do Brasil, atuou 68 anos em jornais, rádio e emissoras de televisão. Ele tinha 93 anos, era viúvo e deixa dois filhos, três netos e três bisnetos.
Villas-Bôas Corrêa nasceu em 2 de dezembro de 1923, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Entrou na Faculdade Nacional de Direito em 1943, onde presidiu o centro acadêmico. Foi na Faculdade que desenvolveu seu perfil de analista político.
Se formou em 1947, quando já era funcionário público do Serviço de Alimentação da Previdência Social (Saps).
Sua trajetória no jornalismo começou em 1948, no extinto jornal A Notícia, depois do nascimento do segundo filho.
Villas-Bôas também trabalhou no Diário de Notícias, jornal O Dia, Jornal do Brasil, O Estado de S.Paulo – onde passou 23 anos na sucursal do Rio de Janeiro – e Rádio Nacional. Também foi comentarista político na TV Bandeirantes e na extinta TV Manchete.
Era um comentarista de estilo elegante, sofisticado e profundo. Ao longo de mais de 60 anos acompanhou de perto os principais fatos políticos do país, como a transferência da Capital Federal para Brasília, o golpe de 1964, a Ditadura Militar, a Anistia, as Diretas Já.
Villas-Bôas foi um analista privilegiado de momentos marcantes da história do país. A última coluna dele no Jornal Brasil foi em agosto de 2011, a Coisas de Política. Aos 85 anos, o analista político se autodefiniu como o “último sobrevivente da geração que cunhou o modelo de reportagem política que ainda hoje se pratica”.
O jornalista escreveu dois livros de memórias: “Casos da fazenda no Retiro” (2001) e “Conversa com a Memória: a História de meio século de jornalismo público” (2002), uma autobiografia de um repórter político.
Ligado às novas linguagens do jornalismo lançou um blog em 2009, que manteve por dois anos. Manteve também um perfil no microblog Twitter, onde se descrevia como um “veterano repórter, com 60 anos de ininterrupta atividade, acompanhando a política brasileira com análise e interpretação”.
Faça um comentário