Aumento do estresse e do sedentarismo durante a pandemia agrava quadros de problemas ortopédicos nos brasileiros
Ainda sofrendo as consequências da pandemia do novo coronavírus, a população precisou se adaptar a um novo estilo de vida, seja para trabalhar ou estudar. O home office e o home schooling continuaram sendo alternativas para a rotina de muitos estudantes e profissionais. Entretanto, o longo período sentado em frente ao computador, associado ao estresse e sedentarismo impostos pelo cenário mundial por quase dois anos, fizeram com que muitos desenvolvessem uma má postura, trazendo graves riscos à saúde, como problemas de coluna, desconfortos e dores acentuadas e, quando não cuidado da forma correta pode prolongar para toda a vida.
De acordo com o Ministério do Trabalho, entre janeiro e julho de 2021, mais de 55 mil trabalhadores pediram afastamento do trabalho devido a problemas na coluna. Foi a segunda maior causa de licenças no ano passado, perdendo somente para dispensas por Covid-19, que totalizaram no mesmo período mais de 68 mil casos. Em 2018, as dores na coluna ocupavam a quinta posição no ranking de afastamentos computados pelo Ministério do Trabalho.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 80% da população já teve ou terá dor na coluna pelo menos uma vez na vida. Um estudo publicado no International Journal of Environmental Research and Public Health revelou que 23,5% das pessoas que estavam em trabalho remoto se queixavam de dores cervicais e 41% de dores lombares.

De acordo com a médica ortopedista Marcella Rodrigues, a forma como a pessoa senta pode estar trazendo dor. Além disso, ficar longos períodos sentado também pode ser prejudicial para a coluna. “Vale lembrar que ficar sentado por mais de 4 horas direto pode representar um risco para seus músculos e ossos”, ressaltou.
A especialista lembra que a 1ª causa de incapacidade para o trabalho em pessoas com mais de 45 anos é a dor lombar. A lombalgia é um problema de saúde pública e afeta até 85% das pessoas no decorrer da vida. “Um estudo realizado pela Universidade de Liverpool John Moores constatou que o fluxo sanguíneo cerebral cai quando as pessoas permanecem sentadas durante quatro horas seguidas. Com a popularização do home office, esse estilo de vida mais sedentário se tornou comum. Muitas pessoas passam 90% do tempo sentadas”, completou.
Oito causas de dor nas costas:
-Dor muscular (postura ou sedentarismo)
-Fratura (vértebra quebrada por trauma ou doença local como osteoporose)
-Tumor (câncer primário ou metástase)
-Deformidades da coluna (escoliose geralmente não causa dor mas precisa ser investigada)
-Espondilolistese (escorregamento de uma vértebra sobre a outra)
-Artrose (desgaste)
-Hérnia de disco
-Infecção (ou discite)
Dicas para aumentar sua produtividade e diminuir dores pelo corpo:
• Monitor: olhos ao nível do centro da tela
• Nunca passe mais de 4h sentado sem pausa.
• Mouse: o tamanho deve ser compatível à mão do usuário e que tenha um apoio confortável para o punho
• Teclado: é recomendado que tenha uma leve inclinação para manter o punho neutro(reto)
• Organize sua mesa! Na região da sua mesa mais próxima à você deixe os objetos que usa com mais frequência.
• Devemos sentar sobre todo o assento da cadeira
• Mantenha os pés apoiados no chão ou no apoio de pés. Observe se suas pernas estão formando um ângulo de 90° entre o tronco, quadril e joelhos
Rodrigues lembra de um estudo realizado por pesquisadores noruegueses com mais um milhão de pessoas, publicado em 2016, na Revista LANCET, que indica “exercícios com mais de 60 min/dia (caminhada acima de 5,6km/h e bike acima de 12km/h) são atenuantes dos riscos de mortalidade, mas não são capazes de reduzir o impacto negativo do excessivo tempo de comportamento prioritariamente sedentário no trabalho, em casa ou lazer (mais que 10 h/dia)”. “Adaptar o seu estilo de vida, mais passivo, para um estilo de vida ativo, tendo mais saúde mental e física e, o mais importante, qualidade de vida”, finalizou.
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