Pandemia, empregos e home office: O que fazer? Especialistas comentam

A pandemia do Coronavirus levou muitas empresas a uma novidade na modalidade de trabalho: o home office. Embora para algumas essa fosse uma prática já conhecida, para a maioria a mudança foi abrupta. O home office veio para ficar?

Mas e para quem tá desempregado? E o trabalhador informal? O país atravessa uma crise imensa de emprego e 14 milhões de pessoas estão desempregadas. Mais de 38 milhões são trabalhadores informais. Qual será a situação, ainda mais sem auxílio emergencial?

Quais os novos desafios para os líderes em 2021? Para comentar o assunto, Gazeta conversou com a especialista em liderança e gestão de altos executivos Rosa Bernhoeft e com o empresário, especialista em RH e CEO da Employability, Cláudio Riccioppo.

A pandemia mudou os cenários do mercado de trabalho aumentando o home office, mas ao mesmo tempo causando um dano social ainda maior para quem tá desempregado. Você vê uma perspectiva melhor esse ano?

Rosa: Ainda não podemos afirmar para 2021 um crescimento firme, constante e seguro do mercado, mesmo com vacina, temos como foco a pandemia, que nesta segunda onda está ainda mais aguda. A economia abre e fecha, conforme a gravidade da doença, gerando um movimento intermitente no qual só é seguro agir no curto prazo ou na reação. Perdemos a perspectiva de longo prazo e as possibilidades de nos organizar para investir, há um risco muito alto para a realização de novos investimentos ou a criação de novos negócios / produtos, principalmente aqueles que não são considerados essenciais para os dias de hoje.

O mercado de trabalho será afetado e ainda teremos demissões, haverá uma reorganização de estruturas e modelos e, ao mesmo tempo, teremos perspectivas em alta de emprego em alguns segmentos como de serviços, varejo etc.

Cláudio: Vejo sim, acredito que já passamos pelo pior e já estamos dando os primeiros passos para a retomada dos números do emprego, acredito que em meados de 2021 já estaremos estáveis e próximos ao momento que estávamos no pré-pandemia. Dizem que quando há uma crise em uma empresa, a retomada tende a demorar em média o triplo do tempo da queda, o pior momento para a economia nacional ocorreu no segundo trimestre de 2020, a partir daí tivemos mais dois trimestres na busca por ressuscitar a economia e acredito que este primeiro trimestre de 2021 será ainda um momento para “arrumar a casa”, já o segundo trimestre de 2021 tende a mostrar uma recuperação mais expressiva para que a partir daí as coisas comecem a voltar ao normal, que agora pode ser chamado de “novo normal”. O desempregado hoje precisa conhecer muito bem o formato do jogo do emprego e quais as ferramentas que poderão lhe permitir uma nova conquista profissional, mesmo com o dano social causado pelas novas regras das relações de trabalho, construir uma alta empregabilidade nunca foi tão importante.

Você acha que as adaptações feitas por conta da pandemia anteciparam o futuro? É algo que vai ficar?

Rosa: Uma das principais adaptações que a pandemia nos trouxe é a da adoção do modelo de trabalho Home Office, que veio para ficar e será refinado na medida que as empresas e os profissionais encontrarem formas de otimização e vantagens na redução dos danos. Ainda temos um longo do caminho pela frente, que deverá ter no centro a preocupação com as condições de vida e carreira dos profissionais.

O Home Office oportunizou vantagens, como constatar que tendo uma boa rede conseguimos realizar o trabalho de qualquer lugar, assim como os vínculos podem ser diversos dentro das organizações, como de empregado, consultor, assessor, part-time, gestor de projeto etc.

Ao ter que contratar resultados dentro de prazos, padrões de qualidade, conseguimos aprender e negociar com mais facilidade, além de constatar e avaliar com maior precisão as consequências. Há possibilidade de crescer na questão da confiança, gerando maior capacidade de colaboração e mantendo uma rede motivada pela clareza e objetividade. O conhecimento flui e o aprendizado coletivo acontece, e novas tecnologias não ficam mais distantes. A produtividade aumentada já é constatada e se mantém como base segura para as mudanças e transformações em curso.

Por outro lado, o Home Office mudou nosso jeito de viver, de nos relacionar e alimentar nossas necessidades humanas. Nossas emoções são presentes e o compartilhamento restrito. Reuniões de trabalho não facilitam a conversa, a troca, o comentário, o aconselhamento, há pouco espaço para protagonizar, ouvir e falar reconhecer.

As condições psicológicas decorrentes são adversas à saúde e se evidenciam em quadros de ansiedade, medo, excesso de horas de trabalho, cansaço e saturação das relações familiares etc. O tema “saúde mental nas organizações” será um desafio neste ano.

Cláudio: Acredito que muitas mudanças vieram para ficar. Uma dessas principais mudanças é o fim das fronteiras territoriais para a contratação de mão de obra. Com o crescimento do home office, uma empresa, por exemplo no Sul do Brasil, pode facilmente buscar o serviço de um profissional no nordeste, ou até em outro país, isso permitirá com que empresas instaladas em cidades com menor número de mão de obra qualificada ou no interior possam buscar a solução de seus processos de recrutamento e seleção, antes complexos, em outras regiões, o que tende também a levar um grande número de profissionais para fora das grandes metrópoles. Outra coisa que fez parte do cenário mercadológico durante a pandemia e que certamente vai ficar é a criação de equipes profissionais menores nas empresas, assistidas por profissionais contratados por projetos ou demanda momentânea, o que permitirá que as empresas mantenham o seu custo fixo de mão de obra menor, utilizando da contratação de serviços eventuais conforme a necessidade.

Qual o cenário para o empreendedor informal em 2021?

Rosa: Vemos que o mercado da “Salvação” tem aumentado seu mix de produtos, sejam eles religiosos, esotéricos, fórmulas da felicidade, mudança total e rápida para ser Pleno, Feliz, Protagonista, a isso acompanha uma quantidade de gurus, sábios, líderes, doutrinas etc. Estamos na verdade bombardeados de soluções, mas o que precisamos neste momento é fortalecer a nossa capacidade de responder sobre nosso Rumo, Direções, Planos e Ações para sair deste momento.

Os profissionais, empreendedores ou não, terão que valorizar suas Competências, Conhecimentos, Experiências e se Organizar como “Eu empresa, Eu produto”.
Se perguntar: onde é, como vai ofertar, e o que possui.

Vai se candidatar a um emprego?
Se organizar em grupo de interesse para ofertar soluções ao mercado?
Vai se estruturar como trabalhador individual? Consultor, Assessor, Especialista, Agente comercial?
Vai ser gestor part-time?

Vai estruturar um pequeno negócio a partir das suas habilidades nunca usadas, ou vocações adormecidas?

Neste ano, o mercado ainda vai ser de empreendedores por necessidades, e o empreendedor informal terá à frente um cenário de maior escassez e competição. Para assegurar a sobrevivência dele e de seu negócio, deverá se apoiar em suas redes familiares e amigos, mantendo sempre muita disciplina operacional e uma atitude positiva.

Cláudio: O empreendedor informal precisa se adaptar ao novo desenho das peças do tabuleiro do mercado a partir de 2021. Os consumidores adquiriram novos hábitos de compra, ter presença digital, por exemplo, não é mais um diferencial, mas sim questão de necessidade primária para conquistar negócios. Estar ativo nas redes sociais e conhecer pelo menos um pouco de marketing digital é questão de sobrevivência para um negócio, o empreendedor informar que geralmente atua em “todas as posições do campo” precisa entender que ser somente bom no que oferece não será suficiente a partir de 2021, serviços customizados devem ser a grande aposta, principalmente para este empreendedor informal.

*Rosa Bernhoeft, especialista em liderança e gestão de altos executivos*

– A pandemia mudou os cenários do mercado de trabalho aumentando o home office, mas ao mesmo tempo causando um dano social ainda maior para quem tá desempregado. Você vê uma perspectiva melhor esse ano?

– Você acha que as adaptações feitas por conta da pandemia anteciparam o futuro? É algo que vai ficar?

– Qual o cenário para o empreendedor informal em 2021?

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