Em live, Benedita aponta “imoralidade” em trumpismo e bolsonarismo

Benedita aponta “imoralidade” em trumpismo e bolsonarismo

Em uma live nesta quinta-feira, (05/11), o economista Eduardo Moreira e a deputada e candidata Benedita da Silva disseram que a eleição de Joe Biden nos Estados Unidos e de candidatos antirracistas no Brasil seriam uma “vitória moral”.

Candidata à prefeitura do Rio pela coligação “É a vez do povo”, Benedita disse que a “atração fatal” do presidente Bolsonaro pelo americano Donald Trump causou “grande prejuízo” ao Brasil.

Ela classificou a submissão como “danosa ao meio ambiente brasileiro”, com reflexos na entrega do patrimônio público e no desemprego de trabalhadores, “inclusive os qualificados, os técnicos, os profissionais”.

Carioca e morador de São Paulo, Eduardo Moreira disse que viajará de carro ao Rio, no dia 15, só para votar em Benedita. Engenheiro, economista, ex-banqueiro e dramaturgo, ele criou a hashtag #Somos70%, reunindo brasileiros contrários às mensagens de ódio do bolsonarismo. “L

“Quando vou a Brasília, fico absolutamente incomodado pela falta de representatividade do povo brasileiro. Lá, a maioria é de homens brancos e ricos, e isso não pode acontecer em um país onde a maioria é de mulheres, de negros e de pobres”, disse Eduardo.

*Enxergando o racismo estrutural*

Moreira classificou como “racismo estrutural” o eleitor que enxerga capacidade de gestão em candidatos “como Eduardo Paes” só por serem homens brancos da Zona Sul.

“Uma pessoa como o Eduardo não tem como sentir dentro de si a vontade, a necessidade, a urgência de aliviar a dor da maioria do povo. Benedita tem histórico de guerreira, morou 57 anos na favela, venceu tudo para ocupar os cargos mais importantes da política brasileira. Ela aprendeu, descobriu, conversou, a gente nao pode jogar tudo isso fora, tem que usar essa sabedoria”, comparou.

Benedita aproveitou a deixa de Moreira para lembrar a importância do ex-presidente Lula no combate à pobreza e à desigualdade social, dois males históricos, complementares e seculares do País.

“Por isso eu sempre apoiei o meu amigo Lula. Ele pisou o mesmo chão que eu pisei e entende as necessidades dos mais humildes. Por isso se empenhou tanto para tirar milhões de brasileiros e brasileiras da miséria”

*Eleições nos EUA*

A live começou com uma análise das eleições americanas. Moreira exibiu o depoimento de um negro dizendo que, se o democrata Joe Biden vencer, será uma vitória política, mas a grande votação do presidente Donald Trump será uma “derrota moral” para a nação, por sua mensagem de ódio, de supremacia branca, de discriminação com negros e latinos.

*Política danosa ao Brasil*

“A politica de Trump tem sido danosa para nós aqui no Brasil. Aqui, também temos o desafio de conquistar uma vitória política e moral contra o ódio e a discriminação”, disse Benedita.

Ela chamou de imorais as atitudes de “preconceito, perseguições políticas ao conhecimento e à cultura brasileira, a uma população majoritariamente negra”.

Nos Estados Unidos e no Brasil, segundo Benedita, “não dá para continuar com uma política perversa, implantando ódio, segregação e preconceito”.

“É imoral o que está acontecendo lá e aqui. É imoral ver a segregação que se faz dos pobres, a perseguição a religiões diferentes, a homofobia, a cidade partida entre asfalto e comunidades. Estamos vivendo a maior crise sanitária da história.”

Ela também traçou um paralelo entre o preconceito de Trump contra os estrangeiros, especialmente contra os latinos, e a condução ideológica da política externa do Governo Bolsonaro, criando atritos com a ciência, o conhecimento, as universidades e com países mais avançados na busca pela vacina.

“Temos de juntar os bons pesquisadores, a Fiocruz, as universidades todas, para salvar vidas. Já eles não querem isso, querem deixar que povo morra. Estão criando uma sociedade que exclui os pobres, os negros, os LGBTs, os religiosos de matriz africana. A fome e o desemprego são imorais, mas também é imoral essa agressão ao conhecimento e à cultura”, disse Benedita.

A reeleição de Trump, segundo Benedita, seria “um inferno, junto com Bolsonaro no Brasil”.

*”Não basta ser contra o racismo, é preciso ser antirracista* “

Benedita agradeceu o apoio de Moreira e disse que sua vitória será um marco na história do Rio.

“Não basta ser contra o racismo, é preciso ser antirracista, ter a consciência de que existe o racismo estrutural”.

Benedita, segundo Moreira, é uma das maiores lideranças que o Rio já teve, com “muitas décadas de uma vida dedicada ao povo mais pobre” e nunca envolvida em escândalo, apesar de “já terem tentado, de tudo quando é jeito, armar para cima dela”.

A candidata a prefeita voltou a mostrar convicção na vitória a partir da receptividade que tem encontrado nas ruas.

“Acho que já estou no segundo turno. Está um rolo tremendo de três candidaturas, mas quem ri por último ri melhor”, disse a candidata.

“E eu vou ficar muito feliz de ver sua risada gostosa celebrando a vitória”, emendou Moreira.

*Moreira: Bolsonaro e Crivela destroem a cultura*

O apresentador disse que o Rio precisa reagir à “destruição total da cultura” nas gestões de Bolsonaro e Crivella.

“Nao tem Ministério da Cultura, ele (Bolsonaro) está destruindo o patrimônio dos povos tradicionais. No Rio, tem um prefeito que confundiu religião com Estado e resolveu demonizar o carnaval, demonizar tudo o que o carioca tem de criativo e pulsante”, criticou Moreira.

Benedita lembrou que o desfile no Sambódromo é apenas o ato final de uma indústria cultural que gera talentos e empregos o ano inteiro, de costureiras, arquitetos, cozinheiros e muitas outras funções.

“O carnaval tem seu braço social, tem canto, dança, arte, pintura, muita coisa. O investimento nisso faz a economia girar. Para cada real investido, a cidade recebe 3 de volta. Vamo também reabrir os teatros, colocar pontos de cultura da Zona Sul às zonas Norte e Oeste, pensar na cultura de braços dados com o turismo.”

*Propostas*

A candidata falou sobre seus programas de geração de emprego e renda nas favelas, especialmente uma moeda social, que só vai circular nas comunidades para fortalecer o comércio local, e convidou Eduardo Moreira para ajudar na inclusão digital das favelas.

“Não podemos pensar num mundo digital se as pessoas não tiverem esse acesso. A favela tem mulheres maravilhosas, jovens maravilhosos, e temos que colocar este mundo digital a serviço do desenvolvimento econômico, da prosperidade da favela, de um novo turismo, de uma cultura mais abrangente, respeitando toda a diversidade que temos”, disse Benedita.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*