Uma das premissas do bom jornalismo é a verdade, é a apuração bem feita e o direito ao contraditório.
O que não temos visto no jornalismo nos dias de hoje em algumas situações.
Lógico que já houve em épocas anteriores mas essa semana duas matérias chamam atenção de forma absolutamente grotesca pelas mentiras, ilações e suposições absurdas.
A Revista Veja e o site The Intercept Brasil se propagam como arautos do bom jornalismo pecaram e feio.
O site, do jornalista Gleen Greenwald é especializado em boas reportagens investigativas.
Só que tendendo a esquerda, o site peca em ilações e opiniões dentro de notícias sendo absolutamente parcial, o que não é obviamente privilégio do site.
É um direito dele, mas não faz parte do bom jornalismo.
Numa reportagem sobre a saída da prisão de Jerominho, um dos chefes da milícia e que tentará fazer novamente sua filha Carminha Jerominho deputada, o site faz uma suposição de que a Prefeito Marcelo Crivella seja ligado a milícia.
Primeiro ao falar de um vídeo em que Carminha ofende Marcelo Freixo, do PSOL.
Coincidentemente, o jornalista é casado com um vereador do PSOL.
Ainda fala do “apoio” da milícia a Crivella, o que nunca existiu e ainda diz que a Prefeitura é bastante conivente com as vans comandadas pela milícia.
Para quem não sabe, Freixo é inimigo público das milícias por conta de sua brilhante atuação na CPI das Milícias que levou a prisão diversos líderes de milícia, entre eles Jerominho.
Ou seja, Carminha não era a favor de Crivella. Ela seria a favor até de um poste se fosse contra Freixo.
Ou seja, o site fez uma ilação desnecessária e mentirosa.
Numa outra narrativa, há a tentativa de criminalizar as vans e os trabalhadores, que também parte da Globo.
A Secretaria de Transportes já os desmentiu várias vezes dizendo que a fiscalização aumentou, mas para o Intercept é mais fácil associar um adversário político a milícia do que simplesmente contar uma notícia de fato, importante e preocupante que é o fato da reorganização da milícia, que sim teve seu tempo áureo nos governos PMDB.
Mas como na Prefeitura, Crivella parece que não sabe ser incisivo e se cala, vai ficar o dito pelo não dito.
Já a Revista VEJA se vê numa situação de imprecisão onde foi desmentida pela Polícia Federal.
Numa reportagem chamada A vida de Lula no Cárcere, o jornalista Thiago Bronzatto fez um relato do que seria a rotina de Lula. Desde o calibre das armas dos policiais que o guardam até a insulina que ele toma de manhã, o jornalista teria tido acesso onde o ex-presidente está preso sendo que nem amigos dele próximos como o teólogo Leonardo Boff e a ex-presidenta Dilma Rousseff não puderam estar.
Só que a Polícia Federal em nota desmentiu a reportagem na seguinte nota:
“Em relação à publicação, da revista VEJA, em 04/05/2018, de matéria intitulada “A VIDA NO CÁRCERE”, assinada pelo jornalista Thiago Bronzatto, que trata da suposta rotina do Ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Superintendência Regional da PF em Curitiba, esclarecemos que:
1.Minucioso exame das imagens de circuito interno de segurança permite verificar que o autor da matéria não teve acesso à área restrita ao Ex-Presidente.
2.Grande parte das informações constantes na reportagem são equivocadas e imprecisas. É absolutamente falso, por exemplo, que seja administrada insulina ao custodiado.
3.O jornalista esteve presente no edifício da Superintendência Regional recentemente, onde participou de uma reunião com um servidor que não possui relação com quaisquer procedimentos relacionados à custódia.
4.As circunstâncias que envolvem possível circulação do jornalista por outras alas do prédio, após a mencionada reunião, já estão sendo apuradas.
Comunicação Social da Polícia Federal no Estado do Paraná”
Ou seja, a Veja publicou MAIS UMA FAKE NEWS de sua história.
Irresponsabilidade do editor, do repórter.
Se ele não esteve lá na cela o que ele teria ido fazer numa reunião na Polícia Federal, fato admitido na nota?
Isso precisa ser explicado.
Por que uma ex-presidente da república não pode visitar Lula e um repórter pode ter acesso a esse mesmo local, se é que teve?
O que quero dizer ao falar desses dois temas?
O jornalismo hoje passa por uma crise. De conteúdo, de identidade, de formação justo num dos momentos mais quentes da política brasileira e a responsabilidade ao escrever uma notícia ou um texto deve ser primordial.
Credibilidade é uma coisa que conta muito. Ou você tem ou não tem.
Ilações, matérias mentirosas dependendo de quem seja o alvo não são novidade. Quem pegar o histórico dos grandes veículos de comunicação no país sabe que eles atendem a interesses e agendas políticas de forma histórica e os blogs, sites que tem sua ideologia política mas nem sempre possuem responsabilidade.
Em tempos de Fake News, esse tipo de postura faz mal.
Apurar, pontuar direito as situações, dar espaço ao contraditório, mesmo assumindo a sua parcialidade devem ser fundamentais.
O público, a sociedade e o jornalismo agradecem.
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