O último dos moicanos

A saída de Roberto Canázio foi dada como certa na Rádio Globo há duas semanas. Publicada a informação pelo jornalista Léo Dias, daria conta de que o experiente radialista teria sido demitido da emissora após vários anos de serviços prestados.

Geralmente eu acordo tarde no domingo, por volta de 10, 11 horas e de cara acesso os principais jornais como Globo, Estadão, Jornal do Brasil, O DIA, R7 e Folha para ler mas no meu Facebook era o assunto a não presença de Roberto Canázio no seu programa de domingo na Globo.

Até então não tinha entendido nada, a locutora que o substituiu naquele domingo de Páscoa avisou que ele estava de folga apenas e que voltaria no domingo seguinte.

Mas não se falava em outra coisa: Canázio estava fora da Globo.

Consegui através de um amigo falar com Canázio via WhatsApp que prontamente desmentiu a nota e afirmou que estaria no ar na semana seguinte normalmente.

Perfeito

A notícia foi desmentida e tudo seguiu seu fluxo normalmente.

Mas não me estranharia se fosse verdade. O desmonte da velha Rádio Globo histórica que começou há alguns anos viveu seu apogeu no ano passado com a mudança total de target e de público e estilo.

LEIA AQUI: Roberto Canázio: Um talento desperdiçado

A Rádio Globo deixou de competir com a Tupi e abriu mão dos seus principais locutores, entre eles o gênio Antônio Carlos.

Agora uma situação que é inadmissível mas já era esperada: a Rádio Globo, assim como a CBN e todo o Sistema Globo de Rádio deixaram a Rua do Russell rumo ao Projac e ao Prédio do Jornal O Globo, respectivamente.

A velha Globo acabou. Morria ali.

Trouxe no Blog a visão do jornalista Creso Soares Júnior, que vivenciou como radialista tudo isso.

Leia aqui: http://blogdocreso.blogspot.com.br/2018/03/a-gourmetizacao-da-radio-globo-e-as.html?m=1

Eu fui ouvinte, já estive lá nos estúdios apenas visitando, o que guardo pra sempre na minha vida mas só de visitar já senti a magia daquele lugar, histórico para o rádio brasileiro.

Anos de história se esvairam por conta da necessidade de reduzir custos e flexibilizar todo o trabalho de operações das rádios, sites e jornais do Sistema Globo.

Foto do Acervo Roberto Marinho de 1970

Mas quero falar de Roberto Canázio.

O último dos moicanos, como diz no título.

O último da velha geração, da geração de ouro no rádio a ficar na Rádio Globo.

Claro que dali somente ouço o Pop Bola do meu amigo e ídolo Alexandre Araújo e o Canázio porque representam o que eu sempre ouvi na Rádio Globo. Tradicional, forte e popular.

Não essa rádio de hoje, muito boa até mas que não combina em absolutamente nada com a Rádio Globo.

Canázio é o último respiro.

Até no futebol já não é a mesma coisa. A qualidade das transmissões caiu muito mesmo com Penido, Edson Mauro e todo mundo.

Haroldo de Andrade se foi, Haroldinho não tá mais no ar, Loureiro Neto morreu, Antônio Carlos, Alexandre Ferreira e outros estão na Tupi.

Outros grandes foram para a Rádio SRZD do Sidney Rezende.

Sim, aqui no Rio somos saudosistas e amantes de um estilo de rádio que parece ultrapassado se vermos a modernidade de hoje.

Porém a Tupi ainda é líder. Ou seja, não é nada ultrapassado.

Canázio parece um peixe fora d’água, mas ainda sobra na qualidade, na sobriedade e na competência.

Ele merece um horário melhor, um programa melhor para seu público que o ama demais.

Ele é o respiro de boa rádio que existe na Rádio Globo.

É a boa velha Rádio Globo na capa de uma nova que não agrada a ninguém.

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