JB
O grande volume de chuva que ocorreu na madrugada desta quinta-feira (15), na cidade do Rio de Janeiro, causou grandes danos à cidade e à população, que enfrenta consequências de desabrigo, falta de luz, circulação de trânsito, e etc. A situação mais grave é a morte de quatro pessoas. Segundo dados do Alerta Rio, em uma hora (de 0h à 1h), foram registrados 123,6 mm de chuva na estação Barra/Riocentro: este é o maior volume de chuva registrado, no período de uma hora, na série histórica. O órgão armazena os dados de chuva do município desde 1997. Antes, o recorde de chuva em uma hora havia sido de 116,2 mm, em Campo Grande, em 19 de março de 2000.
O Centro de Operações Rio (COR) afirmou que a cidade se encontra em estado de atenção. O prefeito Marcelo Crivella, que está na Europa, disse estar acompanhando a situação. Equipes da Seconserma, Defesa Civil, Comlurb, CET-Rio, Guarda Municipal, Light, Rio Águas, Alerta Rio, Secretaria Municipal de Saúde e Bombeiros trabalham em parceria com o COR desde a noite desta quarta-feira (14).
De acordo com o COR, a chuva impactou principalmente os bairros da zona Norte e Oeste do Rio. Até as 10h30 desta quinta, 345 ocorrências foram registradas pela Defesa Civil.
Técnicos da Defesa Civil estão a caminho do Complexo do Alemão, onde várias casas foram danificadas pelas chuvas. Moradores relatam que 200 famílias ficaram desabrigadas, mas a prefeitura afirma que são apenas 20, podendo aumentar o número. Outra área crítica é o morro da Serrinha, em Madureira.
Em Piedade, na Zona Norte, moradores também enfrentam os efeitos do temporal que castigou a cidade. Numa vila da Rua Joaquim Martins, todas as sete casas foram atingidas. Moradores relatam que a água atingiu quase dois metros, destruindo seus pertences. Eles temem que em caso de forte chuva novamente a situação possa se agravar.
Na Rua Elias da Silva, em Quintino, parte do muro da Supervia desabou. Em Bento Ribeiro, uma árvore caiu no cruzamento da Rua Conde de Rezende com Rua Paramirim. A queda provocou o estourou de um cano da Cedae e atingiu a fiação da Light, deixando moradores sem água e sem luz. Uma equipe do Corpo de Bombeiros está no local.
Vias e tráfego de veículos
Árvores caíram em mais de 60 ruas, causando obstrução de vias afetando o tráfego de veículos. Órgãos da prefeitura atuam nos bairros de: Anchieta, Anil, Barra, Campinho, Centro, Cocotá, Grajaú-Jacarepaguá, Guadalupe, Ilha do Governador, Irajá, Jacarepaguá, Jardim Sulacap, Laranjeiras, Linha Vermelha, Maracanã, Olaria, Pechincha, Pedra de Guaratiba, Penha, Ramos, Recreio dos Bandeirantes, Santa Cruz, Sepetiba, Taquara, Vila Valqueire, Vila Cosmos e Vista Alegre.
Na Avenida Brasil, a pista lateral sentido Centro foi interditada na altura de Ramos por causa da queda de uma árvore. O COR informou que a interdição provoca reflexos em Irajá. Algumas pessoas desceram dos ônibus e tentaram seguir caminho a pé.
A Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá segue interditada em direção à Zona Oeste devido, também, à queda de uma árvore. Na Linha Vermelha, uma árvore caída na pista sentido Centro, na altura da Infraero, ocupou duas pistas, o que provocou tumulto no trânsito. A melhor opção para quem quer chegar ao Centro da cidade é a Avenida Pastor Martin Luther King e outras vias internas.
Uma praça localizada na esquina da Rua Almirante Calheiros da Graça com Avenida Amaro Calvacante cedeu. A terra invadiu a via, e o trânsito está em meia pista na Avenida Amaro Cavalcante. A Guarda Municipal e a Comlurb estão no local.
Os corredores Transcarioca e Transolímpica chegaram a ter os serviços paralisados e funcionaram com intervalos irregulares até as 8h, quando a operação foi normalizada. Já o corredor Transoeste, também afetado, permanece interrompido entre Pingo D’Água e Santa Cruz e Campo Grande. Apenas os serviços entre Pingo D’Água e Jardim Oceânico estão operando normalmente. Ainda não há previsão para a normalização dos serviços suspensos.
Os intervalos já se encontram regulares nas linhas 1 e 2 do VLT. Mais cedo, houve um problema no fornecimento de energia.
As saídas dos ônibus de suas garagens também foram impactadas pela chuva, gerando alguns atrasos no início da manhã. Os consórcios estão normalizando o serviço ao longo da manhã.
A emissão de passaportes no Aeroporto do Galeão foi suspensa.
A circulação dos trens da Supervia foi prejudicada após um dirigível cair nos trilhos, na altura da Vila Militar. Os ramais de Santa Cruz e Saracuruna estão interrompidos. O de Belford Roxo está parcialmente interrompido, e os trens expressos operam intervalo entre 8 e 15 minutos.
A operação do ramal Deodoro opera normalmente, e os trens estão parando em todas as estações do ramal.
Ciclovia
O solo abaixo da ciclovia Tim Maia, no trecho em São Conrado, cedeu, mais uma vez, por conta de uma erosão causada por infiltração das águas da chuva. Agentes da Defesa Civil, com o apoio da Guarda Municipal, interditaram o trecho da via entre São Conrado e a Barra da Tijuca. O trecho destruído é de 30 metros de comprimento. Não há informações de feridos no local. A Avenida Brasil, a Linha Vermelha e a Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá encontram-se com trechos bloqueados e seguem com trânsito parado.
Hospitais
Na área hospitalar, 11 unidades (hospitais municipais Evandro Freire, Paulino Werneck, Albert Schweitzer, Francisco da Silva Telles, Nossa Senhora do Loreto, Álvaro Ramos, maternidades Alexander Fleming e Carmela Dutra e UPAs Vila Kenndey, Sepetiba e Madureira) sofreram com a falta de energia e funcionam com geradores para garantir a assistência aos pacientes. O Hospital Lourenço Jorge utilizou o gerador por um período até o restabelecimento da energia.
Algumas unidades de Atenção Primária também foram afetadas e estão com restrição no atendimento. Os reparos estão sendo feitos para que os serviços retornem.
Em seu perfil do Twitter, a Light diz que as “equipes continuam trabalhando para normalizar o fornecimento de energia. Os prazos dependem da complexidade de cada situação, que podem envolver ações em parceria com outros órgãos públicos, retiradas de objetos sobre a rede e substituição de equipamentos.”
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